Flávio Bolsonaro aposta em reação de torcidas para desgastar Lula

Campanha do senador calcula impacto de 1% a 2% em votos contra presidente após proibição de bets

Flávio Bolsonaro aposta em reação de torcidas para desgastar Lula
À esq., o senador Flávio Bolsonaro; à dir., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Reprodução — Foto: À esquerda, o senador Flávio Bolsonaro; à direita, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva  • Reprodução

Campanha de Flávio Bolsonaro tenta capitalizar insatisfação de torcidas organizadas com proibição de bets e ao mesmo tempo contém danos de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida.

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta na reação de torcidas organizadas à proibição das bets para devolver ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o desgaste provocado pelas polêmicas em torno de Nossa Senhora Aparecida. O cálculo de aliados de Flávio é que o impacto nos clubes deve tirar de 1% a 2% de votos de Lula.

Nos últimos dias, bolsonaristas têm acompanhado nas redes a mobilização de comentários sobre a edição da medida provisória que proibiu a atuação de empresas de apostas e os paralelos traçados com a retirada de patrocínios dos clubes. Governistas têm minimizado o impacto para dizer que os times não ficarão sem patrocínio e que outras empresas já demonstraram interesse em ocupar o espaço das bets.

A campanha de Flávio tenta conter os impactos da fake news sobre a padroeira e ao mesmo tempo gerir o efeito da proibição das bets sobre o eleitorado evangélico e outras fatias da população. O PT fala em ganho eleitoral com a edição da medida provisória.

Flávio tem se dividido entre acenos a católicos e evangélicos e chegou a comparar a fake news sobre a padroeira com a facada sofrida pelo pai em 2018, em Juiz de Fora, durante entrevista a um podcast católico.

A campanha também publicou uma nota para esclarecer uma fala de agosto em que Flávio afirmou que um de seus primeiros atos, caso eleito, seria “decretar” que o país pertence a Jesus Cristo. Segundo a manifestação enviada pela equipe de Flávio na noite de segunda-feira (28), o senador afirma que “sempre defendeu o total respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé”.

“Flávio fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República entregando o Brasil a Jesus Cristo, numa ação simbólica de agradecimento e também como um pedido de proteção e benção para todos os brasileiros”, afirma a nota.

Aliados como Silas Malafaia e outros pastores soltaram uma nota em nome do Cimeb (Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil) para dizer que evangélicos e católicos vivem em paz e que não existe nenhuma iniciativa para promover o cancelamento de feriados ou cultos religiosos.

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