Informação falsa sobre retirada de título de Padroeira do Brasil dominou redes sociais na sexta-feira com 64% de críticas a Flávio Bolsonaro

Controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida alcançou 1,9 milhão de menções em quatro dias, com maioria de críticas e envolvimento da Justiça
Uma informação falsa sobre Flávio Bolsonaro alcançou 1.900.427 menções em quatro dias, segundo monitoramento de redes sociais. A notícia de que o candidato pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil circulou massivamente na sexta-feira (25), concentrando sozinha 1.086.512 menções do período.
No primeiro momento, 64% das menções relacionadas a Flávio eram críticas, aproximadamente 695 mil publicações. A defesa direta representava apenas 8%. A história encontrou circulação simples nas redes, gerando a frase “Ninguém toca na padroeira”, que concentrou aproximadamente 32% da conversa associada à ideia de que Nossa Senhora precisava ser defendida.
Imagens da santa, orações e manifestações de fé dominaram as publicações. A informação era falsa, mas tocava em identidade, memória e pertencimento dos usuários.
Flávio Bolsonaro entrou diretamente na conversa no sábado (26), negou a história, acionou a Justiça e seus apoiadores organizaram contranarrativa em torno de “fake news”, “mentira”, retratação e responsabilidade da imprensa. Entre os dias 24 e 26, as críticas à disseminação da fake news já representavam 25,9% da conversa, acima dos 19,8% de indignação com a suposta ameaça à padroeira.
A partir de domingo (27), o afeto original cedeu lugar a outro tipo de incômodo. A pergunta deixou de ser apenas se alguém estava ameaçando Nossa Senhora, mas quem havia criado a informação e quem deveria corrigi-la. Entre sábado e segunda-feira (28), outras 813.915 menções se somaram à primeira onda, mas não tratavam exatamente do mesmo assunto.
A judicialização completou a mudança de eixo. André Mendonça mandou retirar publicações; Flávio Dino restabeleceu parte delas, invocando liberdade de expressão e religiosa; Luiz Fux voltou a suspender os conteúdos. As decisões judiciais deslocaram o debate das redes para a arena jurídica.



