Embaixador vê interferência indireta dos EUA na eleição brasileira

Rubens Barbosa cita suspensão de serviços consulares por embaixadas e menção de US$ 1 milhão a instituições que se opõem ao STF

Embaixador vê interferência indireta dos EUA na eleição brasileira
Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Foto: Planalto soube com antecedência de fechamento de embaixada dos EUA

O embaixador Rubens Barbosa avaliou que os Estados Unidos vêm interferindo de forma indireta no processo eleitoral brasileiro através de suspensões consulares.

O embaixador Rubens Barbosa, ex-diplomático brasileiro que serviu nos Estados Unidos e Reino Unido, afirmou em entrevista nesta sexta-feira (2) que os Estados Unidos vêm interferindo de forma indireta no processo eleitoral brasileiro.

Barbosa citou as restrições e suspensões de serviços consulares implementadas pelas embaixadas americana, canadense, australiana e do Reino Unido. “Eu sempre achei que os Estados Unidos, direta ou indiretamente, iriam interferir nas eleições aqui no Brasil. É o que está acontecendo”, declarou.

O embaixador contestou as justificativas apresentadas pelas embaixadas, como risco de atentado terrorista e possíveis distúrbios. “Nada disso está acontecendo. Eu acredito que essas medidas foram tomadas por inspiração americana como uma maneira indireta de interferir aqui na eleição”, afirmou.

Barbosa ressaltou que nenhuma das alegações feitas pelas embaixadas foi comprovada. “Estamos vendo um clima de tranquilidade no fim da campanha. Os candidatos estão circulando livremente pelo país”, observou.

O embaixador também mencionou informações do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de US$ 1 milhão a instituições no Brasil que se opõem ao Supremo Tribunal Federal. Ele citou ainda interferências do STF e TSE que resultaram no cancelamento de debate presidencial na TV Globo.

Quanto à possibilidade de ação mais ostensiva da Casa Branca caso o segundo turno se confirme entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Barbosa foi categórico: “Não acredito que haja nenhuma intervenção militar aqui no Brasil. O que pode haver são ameaças de sanções, de coerção, mas nada mais grave do que isso”.

O embaixador fez ressalva importante para eventual interferência mais direta: se o resultado for muito apertado e algum candidato questionar a lisura da apuração. “Isso sim pode suscitar uma interferência mais forte do governo americano, sobretudo se o caso for do Bolsonaro”, declarou. Barbosa descartou, contudo, que o Brasil possa viver cenário semelhante ao da Venezuela.

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