Pontífice fez declaração no voo de retorno a Roma após viagem de quatro dias pela França. AfD obteve 20,8% dos votos em eleições alemãs de fevereiro de 2025.

O papa Leão XIV afirmou que a associação entre posições da extrema direita e manifestações religiosas não representa uma expressão autêntica do cristianismo.
O Papa Leão XIV afirmou que a associação entre posições da extrema direita e determinadas manifestações religiosas não representa uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi feita na segunda-feira (28), durante uma conversa com jornalistas no avião que o levava de volta a Roma, após uma viagem de quatro dias pela França.
A pergunta do papa foi feita a respeito da redução do número de fiéis das igrejas cristãs na Alemanha e, ao mesmo tempo, do crescimento de grupos considerados de extrema direita no país. Ao responder, Leão XIV afirmou que seria necessário estudar se existe relação entre os dois fenômenos e mencionou a aproximação entre posições extremistas e determinadas formas de religião.
“Isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo.”
O pontífice associou os valores cristãos à compreensão e à compaixão, em contraposição ao ódio e à divisão.
“Os valores do Evangelho não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento.”
Durante a mesma resposta, Leão XIV também falou sobre a participação dos cristãos e de outros cidadãos na vida política. O pontífice defendeu o envolvimento nos processos políticos, mas afirmou que essa participação deve estar orientada para o bem comum. Segundo ele, a Igreja deve buscar alcançar as chamadas “pessoas de boa vontade” e ajudá-las a compreender a importância de participar da vida pública e fazer escolhas que contribuam para o bem coletivo.
O papa afirmou que a Doutrina Social da Igreja oferece uma referência para a atuação da instituição nesse debate, com a defesa de valores que promovam a vida e não a divisão.
“Cabe-nos a nós, como Igreja — à luz da Doutrina Social da Igreja —, falar, ensinar e pregar sobre aquilo que acreditamos serem valores que promovem a vida, e não a destruição, a divisão e o ódio.”
A declaração ocorre em meio ao avanço da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de direita radical que obteve 20,8% dos votos nas eleições federais de fevereiro de 2025 e terminou em segundo lugar. Quatro anos antes, a legenda havia recebido 10,4% dos votos.


