Especialistas analisam até que ponto a valorização do real e a alta do petróleo podem conter a inflação em 2026
Câmbio favorável e exportação de petróleo têm amortecido a inflação, mas especialistas alertam para limites diante dos impactos no Brasil.
O impacto do câmbio favorável e exportação de petróleo na inflação brasileira
O câmbio favorável e exportação de petróleo têm sido apontados como fatores que atuam como um colchão para amortecer a inflação no Brasil em 2026, especialmente diante do conflito no Oriente Médio. Com o barril de petróleo mantendo-se próximo a US$ 110, o país atrai um grande volume de dólares por ser exportador da commodity, valorizando o real e tornando as importações relativamente mais baratas. Contudo, essa dinâmica, embora positiva, não tem sido suficiente para conter totalmente a pressão inflacionária, que já se espalha para os componentes mais resistentes da economia.
Desafios logísticos e efeitos do petróleo na elevação dos custos internos
Apesar da valorização cambial, o alto custo do petróleo eleva os preços do diesel e gasolina, encarecendo o transporte rodoviário, predominante na malha logística brasileira. Isso impacta diretamente o preço de produtos essenciais como carnes, leite e pães. O IPCA-15 de abril forneceu as primeiras evidências do espalhamento do choque do petróleo para os núcleos de inflação, indicando que o efeito inflacionário está se tornando mais estrutural e persistente.
Medidas do governo para mitigar impacto nos combustíveis
Para evitar um choque direto nos preços dos combustíveis, a Petrobras tem segurado os repasses ao mercado, o que oferece um alívio temporário. O país importa cerca de 10% da gasolina consumida, o que cria uma margem para limitar aumentos imediatos. Entretanto, a defasagem dos preços internos em relação ao mercado internacional já alcança cerca de 64%. O governo estuda utilizar a arrecadação extra gerada pela alta do petróleo para reduzir tributos federais sobre combustíveis, buscando um equilíbrio que evite repasses intensos aos consumidores finais. Nas bombas, porém, as margens das distribuidoras já subiram antes de reajustes oficiais, adicionando custos extras.
Limites do câmbio para neutralizar inflação e perspectivas para a política monetária
Especialistas ressaltam que, mesmo com o câmbio apreciado, a defasagem dos preços internacionais pode chegar a 70%, dificultando a neutralização completa da inflação. A inflação projetada para 2026 tende a superar a meta, refletindo as pressões externas e internas. A escalada do petróleo também eleva a inflação global e mantém juros internacionais elevados, o que limita a possibilidade de queda mais acelerada dos juros no Brasil. A taxa Selic deve permanecer em patamar restritivo por mais tempo, com cortes moderados previstos, para conter o consumo e evitar pressões inflacionárias adicionais.
Cenários e desafios futuros para o controle da inflação no Brasil
A continuidade do conflito no Oriente Médio representa um risco adicional para a inflação brasileira, com potencial acréscimo de até 0,35 ponto percentual no IPCA. Caso isso se confirme, a inflação pode alcançar 5,20% em 2026. O espaço para alívio monetário se estreita, e o Comitê de Política Monetária pode ter que ajustar sua estratégia diante da evolução das expectativas. O Brasil enfrenta o desafio de equilibrar os benefícios do câmbio favorável e exportação de petróleo com a necessidade de controlar os efeitos inflacionários que já estão se tornando mais persistentes e abrangentes na economia.
Fonte: www.infomoney.com.br





