Senado terá dois terços para impeachment de ministros do STF a partir de 2027

Levantamento aponta 54 senadores favoráveis ao processo. Regra exigida por ministro Gilmar Mendes muda critério que vigorava desde 1950.

Senado terá dois terços para impeachment de ministros do STF a partir de 2027
Ministros no plenário do STF durante sessão que analisa relatório da PF sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro. Foto: Alejandro Zambrana/STF

Dos 81 senadores, 54 já se manifestaram a favor do impeachment de magistrados do Supremo. Novo critério representa mudança em relação à lei de 1950.

O Senado Federal terá dois terços de seus integrantes em favor do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal a partir de 2027, segundo levantamento inédito do centro de estudos Ranking dos Políticos. Do total de 81 senadores, 54 já se manifestaram favoravelmente ao processo.

A exigência de dois terços foi determinada em liminar concedida no fim do ano passado e depois parcialmente revertida pelo ministro Gilmar Mendes. Anteriormente, a lei de 1950 estabelecia que era necessária apenas maioria simples dos senadores para a abertura de processos de impeachment contra magistrados do STF, o que poderia representar apenas 21 votos, dependendo do número de parlamentares presentes na análise de um pedido.

O levantamento do Ranking dos Políticos baseou-se em declarações de senadores que ainda têm metade do mandato pela frente e daqueles eleitos no domingo (4 de outubro). Do total de 54 senadores favoráveis ao impeachment, 37 são recém-eleitos ou reeleitos. Entre eles estão Domingos Sávio (PL-MG), Reinaldo Azambuja (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Guilherme Derrite (PP-SP) e Alessandro Vieira (MDB-SE).

Dos 27 senadores que integrarão a legislatura 2027-2031, apenas seis são abertamente críticos à possibilidade de cassação de integrantes do STF. Entre eles estão Marília Arraes (PDT-PE) e Jaques Wagner (PT-BA). Outros 21 não se posicionaram sobre o assunto, segundo o levantamento.

“O resultado da eleição muda bastante a relação de forças no Senado quando o assunto é impeachment dos ministros do STF”, afirma Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos. “Isso não significa, claro, que existam hoje 54 votos para afastar um ministro específico. Uma coisa é defender o instrumento do impeachment, outra é votar pela condenação em um caso concreto. Mas o dado mostra que o tema deixou de ser uma pauta de um grupo minoritário e passou a ter um peso muito maior dentro do Senado.”

O impeachment de ministros do STF requer votação no Senado Federal, que funciona como tribunal para julgamento de altos funcionários da República em casos de crimes de responsabilidade.

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