PF abre investigação sobre interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Diretor-geral da corporação confirmou procedimento prévio neste domingo, gerando preocupação em setores do TSE e STF

PF abre investigação sobre interferência dos EUA nas eleições brasileiras
Polícia Federal iniciou investigação sobre possível interferência externa nas eleições — Foto: PL conquista as duas vagas ao Senado em quatro estados e no DF

Setores do TSE e STF veem com desconfiança a abertura de investigações pela PF sobre possível interferência americana

A Polícia Federal abriu um “procedimento prévio” para investigar possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, confirmou a abertura da apuração neste domingo (4) ao visitar o Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, na sede da Polícia Rodoviária Federal.

Segundo Andrei Rodrigues, a Advocacia-Geral da União encaminhou uma representação para que a Diretoria de Inteligência da PF iniciasse a investigação. “Recebemos uma representação da AGU. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, afirmou o diretor-geral a jornalistas.

Setores do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal, além da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), recebem com desconfiança a abertura da investigação. Conforme apurado, esses atores temem que o procedimento sirva de estímulo à contestação dos resultados eleitorais e como justificativa para decisões judiciais contra o reconhecimento de uma eventual vitória do candidato bolsonarista.

Apenas duas horas após a declaração de Andrei Rodrigues, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, rebateu públicamente a investigação. O magistrado informou que não há “nenhum indicativo” de interferência externa nas eleições. Segundo ele, as equipes responsáveis pelo monitoramento de riscos internacionais não identificaram qualquer ameaça relacionada ao processo eleitoral.

Reservadamente, outros magistrados e auxiliares indicam enxergar a iniciativa da PF como um possível movimento orquestrado junto à AGU e ao ministro Flávio Dino. O Partido dos Trabalhadores solicitou formalmente a Dino que assuma o caso, com base na ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1178, que originalmente questiona a possibilidade de municípios abrirem ações judiciais em outros países por danos ocorridos no Brasil.

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