Cláusula de barreira força fusões e federações. PL chega a 121 deputados, maior bancada desde 1990, enquanto PSOL fica de fora por margem estreita

Vinte partidos elegeram deputados federais nas eleições de 2026, o menor número desde 2002. Cláusula de barreira pressionou siglas menores a se fusionarem em federações.
Vinte partidos elegeram deputados federais nas eleições de 2026, o menor número registrado desde 2002.
A Câmara dos Deputados registra redução significativa da fragmentação partidária. Em 2018, a Casa abrigava 30 partidos; agora o movimento se inverte. Segundo Julliana Lopes, analista de Política da CNN, a cláusula de barreira teve papel central nesse processo ao aumentar a pressão sobre os partidos menores para que preservem recursos e estrutura.
“A tendência aponta para uma Câmara com menos partidos, porém com coligações e federações cada vez maiores e mais influentes”, afirmou a analista.
Entre as siglas que conseguiram atingir a cláusula de barreira estão MDB, PSB, Podemos, Republicanos, além da federação que tem o PT em sua composição. O PSDB formou composição com o Cidadania, enquanto o União Brasil se uniu ao PP, formando uma mega bancada descrita como muito forte no Congresso Nacional.
O PL chegou a 121 deputados — um número que pode ainda aumentar — sendo apontado como a maior bancada de um único partido desde 1990. Partidos como o PSOL não conseguiram superar a cláusula de barreira. A analista mencionou que o PSOL tentou se juntar à coligação do PT, mas a articulação não prosperou. O partido ficou de fora por margem estreita: 183 votos no Espírito Santo foram suficientes para impedir sua aprovação.
O Novo conseguiu passar, mas “quase não entrou”, segundo Julliana Lopes. Já o PDT, partido histórico, elegeu apenas seis deputados.
“Os partidos menores estão sendo, de certa forma, pressionados e estão deixando de existir”, afirmou a analista. Para ela, quem não se junta ao chamado centrão enfrenta sérias dificuldades para continuar existindo no cenário político nacional.
Diante desse novo arranjo, Julliana Lopes avaliou que o próximo ocupante da Presidência da República precisará conduzir negociações com bancadas muito amplas. “O próximo presidente vai ter que ter uma conversa muito ampla com o centrão”, concluiu a analista.



