Avanço da direita no Congresso amplia esperança de ajuste fiscal em 2027

Ibovespa ultrapassa 209 mil pontos e dólar cai após resultado das eleições, mas economistas apontam que medidas ainda não foram esclarecidas

Avanço da direita no Congresso amplia esperança de ajuste fiscal em 2027
Mercado reage com otimismo ao resultado das eleições. Foto: Ilustração gerada por IA — Foto: Juros futuros caem após recuo no valor do petróleo  • Ilustração gerada por IA

Mercado financeiro antecipa mudança na política econômica a partir de 2027. Ibovespa bate recorde e dólar cai, mas ajuste nas contas públicas depende de decisões ainda não esclarecidas.

O avanço da direita no Congresso e a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno ampliaram as possibilidades de mudança na política econômica a partir de 2027. A expectativa de um ajuste fiscal mais intenso provocou reação imediata nos mercados nesta segunda-feira (5).

O Ibovespa ultrapassou a máxima intradia anterior de 199.355 pontos, registrada em 14 de abril de 2026, chegando aos 209,5 mil pontos por volta das 10h30. O dólar abriu em forte queda, negociando abaixo de R$ 5.

A reação nos mercados financeiros reflete a antecipação de uma mudança de condução da economia, que ainda depende do segundo turno e das decisões do próximo governo. Segundo Felipe Salto, economista-chefe e sócio da Warren Investimentos, o mercado vê uma eventual vitória de Flávio como caminho para um ajuste fiscal mais intenso.

“Se isso é verdadeiro ou não, é outra história. Mas é a leitura predominante, que guia os posicionamentos e as decisões do mercado financeiro neste momento”, afirma.

A composição do Congresso melhora o ambiente para Flávio, caso vença. O PL terá 28 senadores a partir de 2027. Porém, transformar essa força eleitoral em ajuste nas contas públicas exige escolhas que ainda não foram suficientemente esclarecidas, como quais despesas conter, que benefícios rever e como negociar medidas que contrariem interesses de aliados.

Zeina Latif, economista e sócia-diretora da Gibraltar Consulting, avalia que o candidato começaria um eventual mandato com capital político importante. Porém, o apoio do Centrão não seria incondicional. Para ela, será crucial observar qual seria a composição do governo e a agenda de contenção das despesas.

Gustavo Cruz, CIO da Sincra, lembra que o mercado também esperava, após a eleição de 2022, que um Congresso conservador favorecesse pautas econômicas. “Ou o presidente puxa o desgaste, ou o Brasil segue distante de melhora nesse campo”, afirma.

Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group no Brasil, avaliou que o otimismo reflete tanto as chances de Flávio quanto a nova composição do Legislativo. Cascione vê espaço para negociar a contenção de despesas obrigatórias até em um eventual novo governo Lula. O incentivo seria liberar recursos para gastos cuja destinação pode ser negociada entre Executivo e Congresso.

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