Abstenção no Nordeste fica abaixo da média nacional em eleições de 2026

Cientista político atribui menor taxa de abstenção à conexão de eleitores nordestinos com políticas sociais do PT

Abstenção no Nordeste fica abaixo da média nacional em eleições de 2026
Eleições 2026: MG tem 8 das 10 cidades com maior taxa de abstenção

Nordeste registrou taxa de abstenção em torno de 15%, enquanto outras regiões chegaram a 26%. Especialista atribui diferença à dependência regional com políticas sociais.

Mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, representando uma taxa de abstenção de 21% — o maior índice registrado nos últimos 28 anos. No Nordeste, porém, a abstenção ficou abaixo dessa média.

Alguns estados nordestinos registraram índices em torno de 15%, enquanto estados de outras regiões chegaram a 23%, 24% e até 26%, segundo dados do pleito. O cientista político e mestre em economia Renato Dolci avaliou o fenômeno em análise, ligando a menor abstenção nordestina à conexão de eleitores com políticas sociais.

“Temos, historicamente, um trabalho que os governos petistas tentam fazer para levar o eleitor para as urnas porque sabem que o eleitor, que tem uma conexão com programas sociais, acaba sendo menos impelido a votar”, afirmou Renato Dolci ao comentar a diferença regional.

Dolci destacou que a abstenção não deve ser tratada de forma uniforme. “A gente percebe que não dá para tratar a abstenção de maneira monolítica”, explicou. Segundo ele, o Brasil já apresenta historicamente uma taxa de abstenção estruturalmente elevada, e o crescimento desse índice a cada eleição representa um dado preocupante.

O especialista apontou dois fatores principais para o aumento das abstenções: o envelhecimento da população e o cansaço do eleitorado em relação ao cenário político do país. “No geral, a abstenção é sempre mais alta a partir da curva de idade. Quando a gente vê a curva de idade esticando, a abstenção sobe”, explicou sobre o primeiro fator.

As disparidades regionais também refletem o acirramento das disputas estaduais. “Quando nós temos eleições apertadas dentro dos estados, nós costumamos historicamente ter taxas de abstenção dentro desses estados um pouco menores”, afirmou Dolci. Ele citou São Paulo como exemplo, onde a eleição para governador já estava relativamente definida nas pesquisas, o que contribuiu para uma abstenção acima da média nacional.

Renato Dolci também reforçou que a abstenção tem impacto historicamente mais intenso sobre os votos do PT. “A abstenção de alguma forma tem um efeito muito mais forte nos votos do PT”, disse o analista, explicando que abstenções são mais frequentes entre eleitores de classes mais baixas e faixas etárias mais avançadas.

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