Moraes e Gilmar mandam quatro sinais ao bolsonarismo em 48 horas

Ministros do STF progressionaram pena de Débora do Batom e arquivaram investigações contra aliados de Bolsonaro após primeiro turno

Moraes e Gilmar mandam quatro sinais ao bolsonarismo em 48 horas
Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/STF — Foto: Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes  • Rosinei Coutinho/STF

Ala governista do STF encaminhou pelo menos quatro recados ao bolsonarismo nas 48 horas após primeiro turno eleitoral

A ala governista do Supremo Tribunal Federal encaminhou pelo menos quatro recados ao bolsonarismo nas 48 horas que se seguiram ao resultado do primeiro turno.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a progressão de pena para o regime semiaberto para Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, um dos símbolos dos atos de 8 de janeiro de 2023. A condenada cumpriu todos os requisitos legais exigidos para a progressão ao regime semiaberto, conforme decisão de Moraes. Ela foi condenada a 14 anos por participação no episódio golpista e virou símbolo da data pela imagem que gerou, ao pintar com batom a escultura “A Justiça”, de Alfredo Ceschiatti.

O segundo sinal foi a sinalização dada por Moraes de que deverá acatar o pedido de Flávio Bolsonaro para visitar o pai, Jair Bolsonaro, na prisão domiciliar. Moraes havia rejeitado o pedido no início da campanha, mas encaminhou a solicitação para avaliação do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, diante de novo pedido nesta segunda-feira.

O terceiro sinal veio na noite desta terça-feira, quando foi tornado público o arquivamento da investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. A decisão acolheu parecer da Procuradoria-Geral da República, segundo o qual as provas não sustentam uma denúncia. A Polícia Federal havia indiciado os quatro por suspeita de obstrução de investigação de organização criminosa e incitação ao crime. A apuração mirava campanha de ataques e exposição de agentes públicos envolvidos em investigações conduzidas no STF, sobretudo pelo delegado Fábio Shor.

Por fim, o ministro decano do STF, Gilmar Mendes, arquivou nesta terça-feira a investigação que apurava denúncias de estupro contra o candidato a vice de Flávio, Alfredo Gaspar. Gilmar Mendes havia liderado articulações para salvar Moraes da abertura de investigação contra ele.

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