Presidente do Senado se comprometeu com ministério, mas adota discurso cauteloso publicamente sobre aceleração do rito

Em conversa com ministro, Alcolumbre garantiu ao Planalto colocação em pauta da PEC que acaba com escala 6×1 antes de 25 de outubro
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), garantiu a ministros do Palácio do Planalto que colocará em votação a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. De acordo com o governo, a sinalização foi reforçada em conversa entre Alcolumbre e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), nesta terça-feira (6), posteriormente levada ao presidente Lula.
Alcolumbre se comprometeu a levar adiante a votação antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Segundo informações do governo, a expectativa é que o primeiro turno da PEC seja votado já na próxima semana.
Ao chegar ao Senado nesta terça, porém, o presidente adotou discurso mais cauteloso com jornalistas. “Pretendo cumprir integralmente o rito de tramitação da proposta, sem atropelos e sem acelerar nada”, afirmou Alcolumbre.
O regimento do Senado estabelece que são necessárias cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Segundo Alcolumbre, três foram marcadas para esta semana e outras duas devem ocorrer na próxima. Depois disso, a PEC estará pronta para ser submetida ao plenário.
Para concluir a votação antes das eleições, porém, seria necessário diminuir os intervalos regimentais por meio de um calendário especial. De acordo com informações do governo, Alcolumbre não assumiu esse compromisso e afirmou que não pretende permitir que a discussão “contamine” a disputa eleitoral.
O fim da escala 6×1 é uma das principais novidades que o presidente Lula tenta levar à campanha do segundo turno. Segundo aliados do governo, a bandeira pode colocar Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados sob pressão.
Integrantes do governo admitem que ainda não há segurança sobre os votos necessários. Para aprovar uma emenda constitucional, são necessários 49 votos, e a resistência entre senadores aumentou depois das eleições de primeiro turno, de acordo com o Palácio do Planalto. Aliados de Flávio defendem alternativa apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do candidato, que permite a redução da jornada por negociação entre trabalhador e empregador, inclusive com redução proporcional de salário.



