PT fica atrás de Flávio Bolsonaro no segundo turno e vê poder político concentrado no Nordeste

Partido elegeu 70 deputados federais, seis a mais que em 2022, mas enfrenta risco de perder a Presidência da República no dia 25

PT fica atrás de Flávio Bolsonaro no segundo turno e vê poder político concentrado no Nordeste
Lula durante comício de campanha

PT preserva governos no Nordeste após primeiro turno, mas Lula está atrás no segundo turno e direita domina o Congresso Nacional

O PT saiu do primeiro turno das eleições de 2026 com os principais governos no Nordeste preservados, mas ainda enfrenta o risco de perder a Presidência da República no segundo turno.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A direita dominará o Congresso Nacional, segundo análise dos resultados eleitorais.

Os resultados das urnas agravaram um gargalo existencial para o partido de Lula: a dependência da recuperação do seu líder hegemônico para seguir no comando nacional e manter a potência eleitoral para evitar o declínio nas próximas eleições, a exemplo do que ocorreu com o outrora rival PSDB.

Uma derrota de Lula elevaria o peso dos governos nordestinos como redutos cristalizados de poder do PT. A reorganização do partido teria de ocorrer sem a perspectiva de contar com Lula como candidato em 2030, quando completará 84 anos. A pergunta sobre quem sucederá o petista segue indigesta.

A dependência de Lula se reflete na dificuldade de deflagrar a sucessão interna. O presidente concentra autoridade para arbitrar conflitos e indicar rumos, enquanto possíveis herdeiros têm de construir legitimidade própria. A centralidade une o partido, mas adia a formação de líderes autônomos.

O PT reelegeu governadores no Nordeste: Jerônimo Rodrigues (BA), Elmano de Freitas (CE) e Rafael Fonteles (PI). No Rio Grande do Norte, Cadu Xavier segue no páreo. A concentração de governos estaduais não significou retrocesso na representação nacional.

O partido elegeu 70 deputados federais, seis a mais que em 2022. Sua federação com PCdoB e PV passou de 82 para 88 cadeiras na Câmara. A derrota de líderes como Zé Dirceu (SP) e Paulo Pimenta (RS) deixou gosto amargo.

Minas Gerais elegeu 12 deputados petistas; São Paulo, 11; Bahia, sete; e Rio de Janeiro, seis. Os mineiros e paulistas concentram, juntos, quase um terço dos representantes do partido na Casa. A distribuição ainda impede tratar o PT como uma legenda puramente nordestina.

O PL avançou de 97 para 121 deputados federais, ampliando sua vantagem sobre a federação governista na Câmara dos Deputados.

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