Estudos técnicos continuam em andamento, mas eventual retomada dependerá de diálogo com comunidades originária

A concessão da hidrovia do Rio Tapajós foi retirada da carteira de projetos prioritários do governo federal para os próximos quatro anos.
O governo federal retirou a concessão da hidrovia do Rio Tapajós da carteira de projetos prioritários para os próximos quatro anos. A decisão encerra um dos temas mais delicados da agenda de infraestrutura do governo Lula, marcado por tensões com povos indígenas.
Segundo apurou a CNN, as análises técnicas sobre o projeto seguem em andamento mesmo com a retirada oficial da carteira. Uma eventual retomada do projeto deverá ser acompanhada de uma rodada de conversas com representantes de comunidades indígenas e ambientalistas, caso o governo Lula seja reeleito.
O candidato Flávio Bolsonaro também fala do projeto em seu plano de governo. De acordo com o documento, há intenção de conceder a hidrovia e de dialogar com os povos indígenas locais.
O projeto enfrenta resistência de povos indígenas da região, que questionam os impactos das intervenções no rio e cobram participação nas decisões que afetam seus territórios. A tensão aumentou no início de 2026, quando o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) contratou uma dragagem de manutenção no rio.
Embora o serviço não estivesse diretamente relacionado à concessão, comunidades indígenas entenderam que a contratação contrariava compromissos assumidos pelo governo na COP30 de realizar consultas antes de avançar com o projeto. Após manifestações, incluindo a ocupação do terminal da Cargill em Santarém (PA), o governo suspendeu a intervenção.
O assunto voltou à agenda no meio do ano, diante do risco de uma seca intensa na Região Norte associada à possível ocorrência de um El Niño de forte intensidade. O presidente Lula desautorizou a execução de uma dragagem emergencial no Tapajós.
Com a mudança, a hidrovia do Rio São Francisco passa a integrar oficialmente a carteira de prioridades da União para concessões hidroviárias no próximo ciclo presidencial, entre 2027 e 2030. A lista mantém os projetos das hidrovias dos rios Paraguai, Madeira e Tocantins, além da Lagoa Mirim e da Hidrovia Verde, que abrange a região da Barra Norte.



