Ex-diretor do Credit Suisse defende equipe técnica sem estrelismos e articulação política equilibrada, referenciando gestão Michel Temer

Em entrevista, Kayath apresenta diretrizes econômicas para eventual governo Flávio, com ênfase em gestão técnica e equilibrio político.
Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse, apresentou em entrevista um modelo econômico para um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), baseado em responsabilidade fiscal, equipe técnica sem estrelismos e articulação política em equilíbrio.
Kayath não se apresenta como candidato a nenhum cargo, considerando isso especulação, mas descreve diretrizes que considera corretas em caso de vitória de Flávio. O economista referencia a gestão de Michel Temer como modelo bem-sucedido de agenda de reorganização econômica aprovada pela política.
Segundo Kayath, o cenário atual é ainda mais desafiador para o Brasil, tanto pelas contas públicas quanto pelo ambiente internacional com juros mais elevados, o que afeta países emergentes. A diferença em relação ao período de Temer é que a situação se tornou mais complexa.
O discurso econômico dos interlocutores de Flávio lembra, em muitos pontos, a expectativa criada para o governo de Jair Bolsonaro em 2019: responsabilidade fiscal, equipe técnica e redução de ineficiências do Estado. A experiência do governo Bolsonaro mostrou, porém, que convicções políticas prevaleceram sobre convicções econômicas, com resistências a privatizações, interferências em estatais e flexibilização do teto de gastos no fim do mandato.
Kayath defende uma abordagem de “parada de arrumação” ou choque de gestão com medidas “cirúrgicas”, evitando a expressão “ajuste fiscal”. Na política monetária, o economista conta com a reação positiva do mercado para abrir espaço a corte de juros.
A articulação política aparece como peça central na visão de Kayath. Ele rejeita a ideia de dar uma “prensa” no Congresso, numa referência a declaração de Paulo Guedes antes mesmo de assumir o cargo. Ressalva, porém, que um Congresso mais alinhado não seria garantia de aprovação das medidas.
Kayath também rejeita a figura do “Posto Ipiranga”, apelido dado por Bolsonaro a Guedes, argumentando que o ministro não pode ser um economista genial que concentra todas as respostas. Os interlocutores de Flávio fazem esforço para se diferenciar do modelo de governo anterior nesse aspecto.



