Reunião entre Moraes e cúpula da PF amplia tensão no STF

Encontro na terça-feira (6) ocorreu dias antes da entrega de material sobre citações a ministros no caso Master

Reunião entre Moraes e cúpula da PF amplia tensão no STF
Fachin diz que atos de Moraes no inquérito das Fake News estão preservados

Reunião de Alexandre de Moraes com diretores da PF causou incômodo em ala do Supremo dias antes da entrega de material sobre caso Master

A reunião do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), com a cúpula da PF (Polícia Federal) na terça-feira (6) causou incômodo em ala do tribunal e ampliou tensões internas. O encontro ocorreu dias antes da data prevista para a entrega de material completo sobre citações a ministros da Corte no caso Master.

Segundo pessoas próximas ao ministro Luiz Fux, ele teria ficado incomodado com a reunião não agendada entre Moraes, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, o diretor de Divisão de Crime Organizado Dennis Cali, e o diretor de Inteligência Leandro Almada. A existência do encontro foi revelada pelo site Poder360 e confirmada pela CNN Brasil.

Uma ala da Corte credita esse encontro como motivação principal para Fux determinar, na quinta-feira, a entrega da íntegra do inquérito das fake news e outras investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a seu gabinete em 48 horas. A ordem foi barrada por Fachin nesta sexta (9).

No julgamento sobre abertura de investigação contra Moraes, Fux citou a existência de uma “PF paralela” que estaria monitorando o ministro André Mendonça, até então relator do caso Master. Fux também votou a favor de afastar Rodrigues do comando da corporação e retirar Leandro Almada do posto de diretor de Inteligência.

A desconfiança foi ampliada devido ao momento da reunião. A PF deve entregar na próxima semana um relatório com todas as citações a ministros do Supremo que surgiram nas investigações do caso Master. No documento, deve constar detalhes da relação de Moraes com Daniel Vorcaro, além de menções às conversas entre o filho de Fux, o advogado Rodrigo Fux, e o ex-dono do Master.

Fachin determinou que Moraes permaneça como relator das investigações sobre o ex-presidente Bolsonaro. O presidente do STF barrou a ordem de Fux que demandava a entrega da íntegra do inquérito em 48 horas, mantendo o fluxo de análise sob responsabilidade de Moraes.

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