Embaixador brasileiro critica questionamento do presidente argentino sobre capacidade do organismo internacional resolver disputa pelas ilhas

O Brasil defendeu nesta sexta-feira (9) a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas e rebateu críticas do presidente argentino Javier Milei à ONU.
O Brasil defendeu, nesta sexta-feira (9), a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas e rebateu críticas do presidente argentino Javier Milei à atuação da Organização das Nações Unidas. O embaixador brasileiro Sérgio Danese refutou os questionamentos do líder argentino à capacidade da ONU para resolver a disputa pelas ilhas do Atlântico Sul.
A intervenção do Brasil, segundo apurações, teve como objetivo contrapor-se ao discurso de Milei proferido na Assembleia Geral da ONU em setembro. Na ocasião, o presidente argentino afirmou que as Malvinas são “uma prova da distância que pode existir entre as palavras das instituições internacionais e a realidade sobre a qual pretendem atuar”.
Milei lembrou que há 50 anos a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução 3149, que pede que as partes se abstenham de introduzir modificações unilaterais que alterem o processo de negociação pelas ilhas. Pontuou que um projeto de extração de petróleo avança ao norte das ilhas, autorizado pelo Reino Unido, mas considerado ilegal pela Argentina.
“Para que serve uma resolução se, durante décadas, a contraparte pode atuar no sentido contrário e essa resolução fica intacta nos arquivos, mas impotente diante da realidade?”, questionou Milei.
Em seu discurso, Danese afirmou que a via diplomática é o único caminho para a resolução do conflito e criticou a tentativa da ditadura argentina de retomar o território pela força em 1982, quando iniciou uma guerra. “Criticar a ONU e o multilateralismo como responsáveis por aquele retrocesso é perder de vista que a única forma de resolver questões como essa das Ilhas Malvinas é a aplicação serena e decidida do direito internacional pelas partes em disputa”, afirmou.
O embaixador brasileiro disse que a questão das Malvinas “constitui uma situação colonial especial e particular” que se prolonga há quase dois séculos e que para a maioria dos países da ONU, as ilhas formam parte do território argentino.



