Padre repreende homem que distribuía panfletos políticos em igreja de MG

Conflito ocorreu na entrada do Santuário Nossa Senhora Aparecida em Contagem, durante celebração em homenagem à santa padroeira

Padre repreende homem que distribuía panfletos políticos em igreja de MG
Padre Jorge Wydrych repreendeu distribuição de material político na entrada da igreja. Foto: Análise: Atuação de Nunes Marques preocupa advogados eleitorais

Padre Jorge Wydrych pediu que homem interrompesse distribuição de panfletos na entrada do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Contagem, nesta segunda-feira.

Um conflito entre um padre e um homem que distribuía panfletos políticos foi presenciado nesta segunda-feira (12) na entrada do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O homem, vestindo camiseta estampada com a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as cores do Brasil, distribuía material que continha dizeres como “católico não vota em quem desrespeita Nossa Senhora”, seguido de “não é sobre Lula, e sim sobre não depositar sua confiança em quem ameaça a nossa padroeira”.

Ao tomar conhecimento da situação, o padre Jorge Wydrych, responsável pela paróquia, foi até a entrada e pediu que o homem interrompesse a distribuição do material e se retirasse do local. Segundo o líder religioso, as informações contidas no panfleto eram falsas.

O documento distribuído tinha como objetivo “alertar” os devotos sobre os “riscos da vitória do candidato Bolsonaro”. Assinado pelo grupo Cristãos Católicos na Política, o panfleto apresenta o voto como uma forma de assegurar o futuro das próximas gerações e da fé.

“Não apostemos na política do ódio, no incentivo à violência e na manipulação da fé daqueles que creem. É preciso votar pensando nos mais frágeis, nos aposentados, nos jovens e em quem precisa de escola, emprego e proteção social. ‘Rogai por nós, Santa Mãe de Cristo, para que sejamos dignos das promessas divinas’. Vote 13, vote pela vida”, informava o panfleto.

Durante a Santa Missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida celebrada neste dia 12 de outubro, o sacerdote decidiu destacar aos fiéis que a santa não pertence a nenhum lado político. “Cada um tem suas preferências pessoais, que devemos respeitar, mas não se deve colocá-la no meio. O espaço sagrado merece respeito de todos os lados. Não vamos permitir que desavenças políticas estraguem a nossa festa”, disse o padre em entrevista.

O conflito remete às semanas anteriores à disputa do primeiro turno das eleições presidenciais, quando começou a circular nas redes sociais a especulação de que o então candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil se eleito presidente. A informação foi associada a uma declaração feita em agosto: “Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, disse o candidato à época.

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