Vendas de carros na China caem 28% em setembro apesar do pico sazonal

Mercado recua há 12 meses seguidos. Veículos de nova energia responderam por 67% das vendas, mas também tiveram queda de 17%.

Vendas de carros na China caem 28% em setembro apesar do pico sazonal
Carros chineses em porto. Foto: Estadão Conteúdo

As vendas de automóveis na China recuaram 28% em setembro, frustrando expectativas de melhora no início do período de pico sazonal.

As vendas de automóveis na China recuaram 28,0% em setembro na comparação anual, para 1,62 milhão de unidades, informou a China Passenger Car Association (CPCA) nesta segunda-feira, 12 de outubro.

Na comparação com agosto, houve alta de 5,0%. Mesmo após 12 meses seguidos de queda, o mercado ainda não apresentou sinais claros de recuperação.

A CPCA atribuiu o desempenho à redução da demanda por veículos a combustíveis tradicionais, afetada por preços elevados do petróleo e por um ambiente de consumo mais fraco no país. A entidade acrescentou que o aumento do custo de chips de memória também tem atrasado lançamentos de novos modelos, pesando sobre o volume total de vendas.

Os veículos de nova energia (NEVs), que incluem elétricos e híbridos plug-in, responderam por um recorde de 67% das vendas totais em setembro. Ainda assim, as vendas no varejo desse segmento caíram 17%, para 1,08 milhão de unidades.

Para compensar o arrefecimento do mercado doméstico, fabricantes chinesas têm buscado crescimento no exterior. Em setembro, as exportações de NEVs mais do que dobraram novamente, enquanto as exportações de carros de passeio avançaram 74%, para 917 mil unidades, segundo a CPCA. A Tesla exportou 30.529 veículos produzidos em sua fábrica de Xangai e vendeu 95.366 unidades no mês.

Após anos de expansão rápida, o setor passa por um período de ajuste, com sinais iniciais de consolidação. No mês passado, o Guangzhou Automobile Group anunciou que pretende adquirir 50% de participação na FAW Toyota. Geely e NIO também firmaram uma parceria para troca de baterias e recarga.

A CPCA não espera uma recuperação forte em outubro. O sentimento de consumo segue fraco, e muitos compradores permanecem cautelosos em meio à guerra de preços entre montadoras. Mudanças demográficas e os altos preços do petróleo também podem pressionar as vendas. A entidade prevê desaceleração das exportações diante de pressões comerciais na União Europeia.

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