Foram 191 casos entre janeiro e setembro de 2026, ante 188 no mesmo período anterior, segundo o Ministério Público

Dados do Ministério Público de São Paulo mostram 191 casos entre janeiro e setembro de 2026, continuando tendência de alta
O número de mortes decorrentes de intervenção policial na cidade de São Paulo aumentou pelo quarto ano consecutivo. De acordo com dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), vinculado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), foram registrados 191 casos entre janeiro e setembro de 2026, ante 188 no mesmo período de 2025.
Em 2024, foram contabilizadas 176 mortes no período, enquanto em 2023 o número foi de 141. Já em 2022, foram 124 registros. A sequência representa quatro aumentos anuais consecutivos, considerando os dados de janeiro a setembro de cada ano.
Dois casos recentes de mortes durante abordagens policiais na capital paulista exemplificam a situação. Em Moema, na zona sul, um jovem de 20 anos morreu após ser atingido por 27 tiros durante uma abordagem policial. Os policiais envolvidos alegaram ter confundido o celular que o jovem segurava com uma arma de fogo. Imagens de câmeras de segurança mostram a sequência da abordagem e dos disparos. Os agentes foram afastados das atividades operacionais, e o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Na zona norte, um homem de 40 anos morreu após ser baleado por policiais militares. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o homem estaria ameaçando pedestres com uma faca e uma barra de ferro. Imagens mostram que ele foi atingido por uma arma de choque e caiu no asfalto antes de os policiais efetuarem os disparos. O caso também é investigado pelo DHPP e pela Polícia Militar.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “atua com foco na preservação da vida, na revisão de protocolos, no uso de tecnologias, como equipamentos de menor potencial ofensivo, e no combate a desvios de conduta”. A pasta informou que a análise da letalidade policial considera o contexto de cada ocorrência, o volume de operações, o uso correto das armas e o cumprimento das regras para utilização das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs).
A SSP declarou que todas as mortes decorrentes de intervenção policial são investigadas com máximo rigor, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público, do Poder Judiciário e de órgãos de controle externo.



