Polícia Civil prende integrantes de facção que comandava tráfico de presídios do Paraná

Organização mantinha estrutura interna com julgamentos e castigos físicos contra membros; familiares levavam drogas em visitas

Polícia Civil prende integrantes de facção que comandava tráfico de presídios do Paraná
Familiares abasteciam quadrilhas com drogas ao visitá-los. Foto: PCPR — Familiares abasteciam quadrilhas com drogas ao visitá-los. Foto: PCPR.

Operação da Polícia Civil prende membros de organização criminosa que operava em presídios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo

Uma organização criminosa foi alvo de operação nesta quarta-feira (14) pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). O grupo comandava operações de dentro de presídios e mantinha uma rede de colaboradores nas ruas para distribuir drogas e movimentar o dinheiro obtido com as vendas.

A investigação começou em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após crimes de tortura e cárcere privado contra pessoas acusadas pela facção de “traição”. O grupo também cobrava dívidas do tráfico por meio de ameaças e intimidação. Ao rastrear a origem das ordens para esses crimes, os investigadores chegaram a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária da região.

A partir dos aparelhos, identificaram uma organização com atuação em dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo. Segundo a PCPR, as lideranças presas negociavam grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões, com preços tabelados.

Os integrantes transportavam as drogas entre municípios, armazenavam os entorpecentes em depósitos e controlavam pontos de venda à distância. Dentro dos presídios, a organização mantinha funções definidas para garantir o cumprimento das regras da facção. Um setor fiscalizava a conduta dos integrantes, julgava presos considerados infratores e determinava punições físicas.

Outros membros escondiam, recarregavam e faziam circular celulares e roteadores entre as celas, mantendo a comunicação com colaboradores do lado de fora. De acordo com a investigação, familiares levavam drogas escondidas no corpo durante visitas aos presos.

Os recursos obtidos com o tráfico eram movimentados por meio de transferências via PIX para contas abertas em nome de terceiros sem ligação direta com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, realizados rapidamente, para dificultar o rastreamento do dinheiro. A polícia identificou ainda uma empresa de fachada usada para receber pagamentos referentes a cargas de drogas. As movimentações financeiras eram registradas em planilhas de controle, segundo a investigação.

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