CPI cheio atinge 3,72% em 12 meses, maior aumento desde conflito com Irã em março. Mercado passa a precificar 50% de chance de alta de juros em outubro.

Inflação ao consumidor dos EUA sobe 0,65% em setembro, levando variação anual a 3,72%, a maior desde março de 2026. Mercado revisa chance de alta de juros.
O índice de preços ao consumidor cheio (headline) dos EUA de setembro chegou a 0,65%, elevando a variação em 12 meses a 3,72%, ante 3,35% no mês anterior. Segundo John Kerschner, head global de produtos securitizados da Janus Henderson, essa foi a maior alta mensal do CPI desde o início do conflito com o Irã, em março de 2026.
O chamado CPI Core, indicador mais acompanhado de perto pelos investidores, também veio inesperadamente forte, em 0,33%, elevando a variação em 12 meses para 2,57%, ante 2,45% no mês anterior. As projeções de Wall Street para o núcleo do CPI estavam na faixa de 0,20%.
“Todo mundo tem um plano até levar um soco na cara”, afirmou Kerschner, parafraseando o ex-campeão mundial de boxe Mike Tyson, ao descrever como o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, deveria estar se sentindo após a divulgação do dado.
Antes da publicação dos números, os participantes do mercado praticamente descartavam uma alta de juros na reunião do Fed de 28 de outubro, influenciados por comentários de tom mais brando de diretores da instituição. Com a forte liquidação no trecho curto da curva de juros após o dado, as probabilidades subiram para mais de 50%. Para a reunião de 9 de dezembro, a chance de alta é, para todos os efeitos, de 100%, conforme indicou Kerschner.
Analistas alertam que a maioria das empresas percebeu que a alta do petróleo deixou de ser temporária, sobretudo porque o volume que passa por Ormuz está quase tão alto quanto antes do conflito. O mercado está precificando um imposto de risco do petróleo, e as empresas estão repassando esse custo cada vez mais aos consumidores, em vez de absorver os aumentos.



