Segundo análise, país acumula déficit primário de R$ 89,3 bilhões e gasta mais do que arrecada antes de pagar juros

Dívida bruta do governo geral subiu de 76% do PIB em 2002 para 97,8% em 2026, segundo projeções do FMI
A dívida bruta do governo geral brasileiro subiu de aproximadamente 76% do PIB em 2002 para 97,8% em 2026, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional. O FMI prevê que o indicador ultrapasse 100% em 2027 e supere 105% em 2031, sem mudanças de direção anunciadas pelo governo.
Os juros da dívida pública ampliaram significativamente no período. Em 2002, o setor público pagou R$ 114 bilhões em juros; nos doze meses encerrados em julho de 2026, o desembolso chegou a R$ 1,15 trilhão. O valor equivale a quase um décimo de tudo o que o país produz anualmente.
O resultado primário, que mede se o governo cobre despesas antes de pagar juros, inverteu de sinal. Em 2002 havia superávit de R$ 52,4 bilhões, ou 3,91% do PIB. Atualmente há déficit de R$ 89,3 bilhões, indicando que o Estado gasta mais do que arrecada antes do pagamento de juros.
O FMI reconhece a resiliência da economia brasileira, mas cobra um esforço fiscal mais ambicioso. A instituição considera que o país está gastando além da conta. A dívida cresceu num período que incluiu boom de commodities, desenvolvimento do pré-sal e recordes sucessivos do agronegócio.
Cada real destinado ao pagamento de juros deixa de ser investido em infraestrutura, educação, saúde ou crédito para trabalhadoresexternalidades fiscais acumuladas ao longo dos 24 anos alteram a capacidade de investimento público no país.



