Analista avalia que vitória dependerá do impacto na avaliação do governo e capacidade de reverter cenário eleitoral

Senado analisa proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Votação ocorre dias antes do segundo turno das eleições.
O Senado abriu sessão para analisar proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, em meio a intenso debate sobre os possíveis impactos da mudança na jornada de trabalho e à disputa política em torno do tema.
A votação ocorre poucos dias antes do segundo turno das eleições, o que amplifica o peso político da medida. Segundo o analista de Política Rafael Cortez, a aprovação da proposta ainda não pode ser considerada vitória plena.
“A vitória vai vir não só com a aprovação da PEC, mas com o efeito eleitoral esperado.”
Para Cortez, trata-se, por ora, de vitória parcial, cujo resultado definitivo depende da capacidade de reverter o cenário eleitoral no segundo turno.
O analista comentou também a movimentação de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, que articulou a pauta após colher derrotas de seus candidatos no Amapá no primeiro turno. Segundo Cortez, o comportamento de Alcolumbre se assemelha, em alguma medida, aos desafios enfrentados pelo próprio governo.
“Davi Alcolumbre precisa da vitória governista para facilitar a sua recondução ao comando do Senado.”
A expectativa é que a aprovação da matéria contribua para elevar a avaliação do governo e, assim, ajudar na difícil tarefa de promover a virada eleitoral. Cortez pontuou que a narrativa da campanha no segundo turno é mais favorável do que foi no primeiro. A estratégia passa por chamar a atenção do eleitorado para os riscos que um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) traria para políticas públicas, sobretudo as de cunho social.
“Em alguma medida, o que faltou no primeiro turno apareceu agora.”
O analista ressaltou que os governos do PT são percebidos como mais vinculados aos mais vulneráveis, em contraposição ao governo Bolsonaro. No entanto, Cortez fez ponderação importante: o universo de eleitores disponíveis para eventual mudança de voto é pequeno.
“Nós estamos falando de um grupo pequeno de eleitores que tem alguma chance de trocar de Lula para Flávio.”
Cortez acrescentou que o fenômeno da abstenção, que costuma se manter em patamar elevado, também é fator relevante. A oposição tenta minimizar o impacto da medida, com Flávio Bolsonaro sinalizando voto favorável à reforma 6×1 como forma de demonstrar ao eleitor sua posição sobre o tema.



