Índice de preços ao produtor subiu 5% em setembro, mas inflação ao consumidor ficou abaixo das expectativas devido à fraca demanda interna

Preços ao produtor da China subiram 5% em setembro, maior ritmo em mais de quatro anos, enquanto inflação ao consumidor ficou em 0,9%.
O índice de preços ao produtor da China atingiu 5% em relação ao ano anterior em setembro, segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas nesta quarta-feira (14). O resultado marcou o maior ritmo de alta em mais de quatro anos, superando a estimativa de 4,5% em pesquisa da Reuters e os 3,8% registrados em agosto.
Em contraste, o índice de preços ao consumidor (IPC) subiu apenas 0,9% no mesmo período, ficando abaixo da previsão dos economistas de um aumento de 1%. A disparidade entre os dois indicadores reflete um cenário econômico desigual, no qual os custos aumentam para os fabricantes mas não se transferem aos consumidores.
“Os preços estão subindo para os fabricantes, mas a fraca demanda do consumidor continua a conter a inflação”, indicam análises sobre os dados. A fraqueza persistente da demanda interna reforça preocupações de que a China enfrente uma recuperação desigual, impulsionada mais pelas exportações do que pelos gastos domésticos.
Segundo Nguyen Hoang Nam, economista especializado na China da Capital Economics, grande parte da pressão de alta veio das interrupções no abastecimento de commodities causadas pelo conflito no Oriente Médio. “Os preços subiram de forma particularmente acentuada no processamento de combustíveis, produtos químicos e metais não ferrosos”, afirmou o economista, que espera recuo dos preços no próximo ano.
Os preços mais altos do petróleo e das commodities, impulsionados por interrupções no transporte, condições climáticas adversas e tensões geopolíticas, aumentaram as pressões de custo para os fabricantes. Contudo, a demanda fraca limitou o repasse desses custos aos consumidores finais.
Os gastos das famílias permanecem moderados e a confiança do setor privado continua frágil, apesar de uma série de medidas de estímulo adotadas pelo governo chinês. Essa situação ressalta a fraqueza persistente da demanda interna e os desequilíbrios econômicos mais amplos enfrentados pela segunda maior economia do mundo.



