Volume de BDRs cresce 29,5% em 2026 com demanda por IA e diversificação

Negociações de recibos de empresas estrangeiras atingem R$ 853,94 milhões mensais, com Micron Technology liderando alta de 602,5%

Volume de BDRs cresce 29,5% em 2026 com demanda por IA e diversificação
Negociação de BDRs sobe 29,5% em 2026 e indica amadurecimento dos investidores Foto: CNN Brasil

Volume médio diário de BDRs que integram o índice BDRX da B3 cresceu 29,5% entre janeiro e setembro de 2026, atingindo R$ 853,94 milhões.

O volume médio diário de negociação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) que integram o índice BDRX da B3 cresceu 29,5% entre janeiro e setembro de 2026, atingindo R$ 853,94 milhões, segundo levantamento da Comdinheiro/Nelogica. O salto reflete o interesse de investidores brasileiros por empresas internacionais, especialmente companhias ligadas à Inteligência Artificial e infraestrutura tecnológica.

O avanço também representa uma busca por diversificação geográfica em meio às incertezas do mercado doméstico. Para Adriano Martins, sócio e private banker na Blue3 Investimentos, o movimento indica amadurecimento do investidor brasileiro em relação à diversificação global.

“O primeiro fator é a busca por exposição a teses que estão em alta como os semicondutores e a inteligência artificial. O segundo é a força das empresas regionais listadas exclusivamente na bolsa americana como Nubank, XP e Mercado Livre”.

O Nubank adicionou mais de R$ 45 milhões ao volume médio diário negociado, ficando atrás somente da Micron Technology. O Mercado Livre movimentou cerca de R$ 30,87 milhões. Martins menciona ainda que existe uma “fuga para o dólar frente cenário de incerteza fiscal e o panorama macroeconômico do Brasil” com o aumento da dívida pública e dos gastos governamentais.

Diante disso, o BDR acaba sendo visto como um “porto seguro de liquidez e proteção cambial na B3”, conforme avaliou o economista. “Existe um amadurecimento dos BDRs como instrumento financeiro, principalmente após a democratização promovida pela CVM, dando o acesso a um público investidor mais amplo”.

A Micron Technology, fabricante norte-americana de semicondutores e chips de memória, foi o principal destaque do levantamento. A média diária negociada do BDR da companhia cresceu 602,5% entre janeiro e setembro, respondendo por 40,4% do aumento total do volume médio diário dos papéis que compõem o BDRX. Em valores absolutos, a Micron adicionou R$ 94,35 milhões à média de negociação diária no período.

A procura está relacionada à expansão da infraestrutura necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial. Enquanto empresas como a Nvidia fornecem unidades de processamento gráfico (GPUs) utilizadas para executar operações de IA, a Micron produz memórias de alta largura de banda, conhecidas pela sigla HBM, que alimentam esses processadores.

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