Lula defende redução de maioridade penal e provoca reação na esquerda

Declaração do presidente em entrevista à TV Globo é vista como estratégia eleitoral por aliados e criticada como oportunismo pela oposição

Lula defende redução de maioridade penal e provoca reação na esquerda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Ricardo Stuckert — Foto: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  • 20/08/26 – Ricardo Stuckert

Declaração de Lula em defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos levou lideranças de esquerda a reposicionar discurso sobre tema historicamente controverso no PT

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos provocou reposicionamento de discurso entre lideranças de esquerda e militantes de direitos humanos nesta quinta-feira (16).

Em entrevista à TV Globo, Lula abordou o tema que historicamente divide o espectro político. O historiador Rogério Sotilli, ex-secretário nacional de Direitos Humanos e diretor do Instituto Vladimir Herzog, interpretou a fala como estratégia política.

“Não gostei do que ele (Lula) falou, mas vejo como um movimento estratégico de redução de danos”, disse Sotilli. Segundo sua análise, a declaração presidencial causará “desgaste enorme” com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Para Sotilli, “esse debate não pode ser bloqueado, mas não deve estar no centro da pauta”.

O PT e demais partidos de esquerda historicamente se opõem à redução da maioridade penal. No entanto, o coordenador do setorial inter-religioso do partido, Gutierrez Barbosa, reconheceu que “a redução da maioridade penal é um anseio social e uma pauta que dialoga com os evangélicos, que defendem penas severas para crimes hediondos”.

O PL, que tem a medida como bandeira política, reagiu com ceticismo. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou a postura presidencial de forma contundente.

“Essa fala soa artificial. É uma enganação e claramente oportunismo eleitoreiro, como a promessa de picanha em 2022”, afirmou Cavalcante.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) seguiu a mesma linha de desconfiança. “Eles sempre foram e continuarão sendo contra. O eleitor não cairá nessa”, declarou.

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