Estudo da UFRJ monitorou 13 mil horas de áudios de igrejas durante eleições de 2026

Levantamento inédito realizado durante o primeiro turno monitorou transmissões de YouTube para identificar crimes eleitorais em ambientes religiosos.
Um estudo inédito detectou propaganda eleitoral em 8,3% dos cultos das Assembleias de Deus durante o primeiro turno das eleições de 2026, segundo levantamento do grupo de pesquisa Passagens da UFRJ em parceria com a More in Common.
A pesquisa monitorou mais de 13 mil horas de áudios provenientes de missas e cultos transmitidos pelo YouTube, com foco em igrejas católicas, batistas e Assembleias de Deus. Nas igrejas católicas, a propaganda eleitoral foi identificada em 0,7% das celebrações. Entre os batistas, o índice foi de 1,4%.
De acordo com o estudo, a discrepância entre as denominações pode estar ligada à descentralização institucional das Assembleias de Deus e ao enraizamento de suas congregações em lógicas comunitárias locais.
A investigação revelou que o foco dos apoios políticos nos púlpitos não esteve concentrado na disputa presidencial. A maior parte das menções diretas foi direcionada a candidaturas para os cargos de deputado estadual e federal, segundo a análise.
Em um caso registrado em Goiás, um pastor buscou contornar as vedações legais ao sugerir uma forma de adesão política:
“Eu não posso pedir o voto, mas eu posso te orientar, tá bom? Então, se você de forma livre e espontânea, de livre, espontânea vontade, se você aceitar, eu vou colocar um adesivo no seu carro”.
O estudo apontou que temas centrais da disputa nacional, como o embate em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida, tiveram presença residual nas cerca de 2 mil missas católicas acompanhadas. De acordo com os dados, o conteúdo mais relevante encontrado em todo o monitoramento foi o estímulo ao civismo e ao voto consciente, com frequência cinco vezes maior do que a observada em propagandas eleitorais.
O Instituto Brasileiro de Direito Religioso (IBDR) divulgou, em 14 de outubro, uma nota de repúdio ao monitoramento. A entidade afirmou estar preocupada com iniciativas que acompanham cultos e celebrações religiosas para identificar possíveis infrações eleitorais.



