Queda de 9,2% ante 2024 foi impulsionada principalmente pelo Bolsa Família, que respondeu por 95% da redução

Cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil em 2025, segundo o IBGE.
Aproximadamente 1,499 milhão de crianças e adolescentes brasileiros estavam em situação de trabalho infantil em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira, 16 de outubro. O contingente é o menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2016.
O total representa 4,0% das crianças e jovens de 5 a 17 anos do país, que somam 37,8 milhões, também a menor taxa em quase uma década. Entre 2024 e 2025, houve queda de 9,2% no contingente de crianças e adolescentes em trabalho infantil.
De acordo com o IBGE, embora a pesquisa não investigue diretamente a motivação individual de saída do trabalho infantil, a redução se deve a uma soma de políticas públicas e fatores socioeconômicos. Entre eles estão o mercado de trabalho aquecido e a alta da renda familiar, que reduzem a necessidade do trabalho de crianças e adolescentes para complementar o orçamento, além de ações de fiscalização e proteção por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT).
O IBGE aponta o protagonismo do Bolsa Família na redução. Entre 2024 e 2025, a diminuição do trabalho infantil nas famílias beneficiárias respondeu por mais de 95% da queda total no contingente nacional. Foram 144 mil crianças e jovens a menos em trabalho infantil no período.
“O Bolsa Família pode ter contribuído para garantir uma renda mínima para essas famílias, além de ter condicionalidades relacionadas à frequência escolar. É algo que pode ter contribuído para essa queda”, afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, responsável pelos dados do IBGE.
Entre 2016 e 2025, o trabalho infantil caiu 28,6% no país. O número de crianças e jovens nessa condição apresentou sucessivas quedas entre 2016 e 2019. Em 2022, o contingente cresceu 7% ante 2019 e atingiu 1,9 milhão de pessoas. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua não coletou dados sobre trabalho infantil em 2020 e 2021 devido à pandemia.
Os pesquisadores do IBGE afirmam que a alta no período 2019-2022 está ligada aos impactos da emergência sanitária sobre a economia e o mercado de trabalho. Segundo o instituto, foi um período em que o mercado de trabalho do país foi muito afetado, com diminuição da população ocupada e da renda do trabalho, o que pode ter contribuído para que crianças entrassem no mercado de trabalho para contribuir com a composição da renda domiciliar.



