Flávio Bolsonaro defende dinheiro de Vorcaro para filme Dark Horse como privado e lícito

Senador afirma que recursos do ex-banqueiro não tinham contrapartida e que diferença entre valor pedido e repassado ocorreu por contrato não cumprido

Flávio Bolsonaro defende dinheiro de Vorcaro para filme Dark Horse como privado e lícito
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em entrevista à Globo. Foto: Reprodução — Foto: Candidato Flávio Bolsonaro (PL)  • Reprodução

Flávio Bolsonaro defendeu que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse eram privados e lícitos, sem contrapartida política.

O candidato à Presidência pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, defendeu na noite desta sexta-feira (16) que os recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, utilizados para financiar o Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, eram “privados” e não havia qualquer irregularidade no patrocínio.

Em entrevista à Globo, Flávio afirmou que o filme recebeu um patrocínio privado sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de ser senador da República.

“Um filme de um patrocínio privado, para um filme privado sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para fazer um filme do Jair Bolsonaro. Eu conversei com vários possíveis investidores e ele topou fazer em uma época que ele não tinha absolutamente nada de errado.”

Ao ser questionado sobre a diferença entre o valor que solicitou ao ex-banqueiro e a quantia efetivamente repassada, Flávio atribuiu a discrepância a um contrato não cumprido. Segundo o senador, pediu US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, enquanto o valor efetivamente repassado chegou a pelo menos R$ 61 milhões, cerca de US$ 12,3 milhões.

“Era um contrato que não foi cumprido e, com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, conseguimos concluir o filme. Simples assim. Uma relação privada, um dinheiro totalmente licito.”

Em maio de 2026, vieram a público áudios e mensagens sobre negociações entre Flávio e Vorcaro para o financiamento de Dark Horse. Perícia contratada pela Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme, constatou que a cinebiografia do ex-presidente teve um gasto de US$ 13 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões, e não contou com dinheiro público.

Flávio alega que os recursos pagos por Vorcaro foram integralmente destinados à produção do filme. A Polícia Federal, no entanto, afirma que ainda é necessário esclarecer “a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados”.

Relatório da PF de 12 de setembro pediu esclarecimentos sobre o dinheiro repassado por Vorcaro. O documento foi divulgado após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), quebrar sigilo de nova leva de processos relacionados ao caso Master. A PF solicitou ao ministro prorrogação do inquérito que investiga o financiamento do filme por 90 dias, conforme registrado na quinta-feira (15).

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