Pressão nos preços americanos pode manter Federal Reserve restritivo e afetar custo do crédito brasileiro através do dólar

Aceleração do índice de preços ao consumidor americano em setembro pode dificultar novos cortes de juros no Brasil.
A inflação mais resistente nos Estados Unidos pode frear a redução da taxa básica de juros no Brasil, mesmo com sinais de moderação da atividade econômica doméstica.
O índice de preços ao consumidor americano subiu 0,6% em setembro e acumulou alta de 3,7% em 12 meses, ante 3,4% em agosto, segundo dados divulgados na última quarta-feira (14). A gasolina respondeu por mais da metade do avanço mensal, enquanto o núcleo, que exclui alimentos e energia, também acelerou na comparação anual.
No Brasil, o volume de serviços recuou 0,1% em agosto, depois de ficar estável em julho, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters era de crescimento de 0,4%. Em comparação com agosto do ano passado, o setor ainda avançou 0,6%.
A conexão entre inflação americana e juros brasileiros passa pelo Federal Reserve e pelo dólar. Se a inflação persistir nos EUA, o banco central americano pode manter uma política mais restritiva ou voltar a elevar as taxas. Uma remuneração maior nos investimentos em dólar pode aumentar a atração por esses ativos e pressionar moedas de países emergentes, como o real.
Com um dólar mais caro, aumentam os custos em reais de produtos importados e de insumos usados pelas empresas brasileiras. Parte dessa pressão pode chegar ao consumidor, dependendo da concorrência, da demanda e da capacidade das empresas de absorver as despesas.
Os mercados já estão ajustando os juros dos títulos e as moedas conforme mudam as expectativas sobre decisões do Federal Reserve. A possibilidade de um aperto monetário nos Estados Unidos pode dificultar a redução do custo de financiamento no Brasil antes mesmo de uma decisão formal.
Em setembro, o Banco Central, ao reduzir a Selic para 13,75% ao ano, reconheceu a moderação gradual da atividade, mas destacou preocupações com o mercado de trabalho na análise do Copom (Comitê de Política Monetária).



