Região teve 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 41,8%, mas enfrentou 21.768 focos de calor em agosto e setembro

Amazônia Legal registrou 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, menor índice em 38 anos, mas focos de calor aumentaram 64%
A Amazônia Legal registrou 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, representando queda de 41,8% em relação ao ciclo anterior, informou o INPE. É o menor índice da série histórica iniciada em 1988, inferior até aos 4.571 km² registrados em 2012.
Apesar do avanço no controle do desmatamento, Manaus voltou a enfrentar dias intensos de fumaça. Em agosto e setembro deste ano, o bioma registrou 21.768 focos de calor, alta de 64% comparada ao mesmo período de 2025, segundo dados do INPE analisados pela InfoAmazonia. Os focos representam detecções por satélite, não hectares queimados.
A proximidade do fogo em relação à capital amazonense aumentou preocupações. Em setembro, 1.920 focos ocorreram a até 300 quilômetros de Manaus, totalizando 15,3% de todas as detecções do bioma naquele mês. Entre 2021 e 2025, essa participação ficou entre 1,8% e 6,7%.
O Ministério do Meio Ambiente apontou a possibilidade de uso intencional do fogo para degradar florestas remanescentes e facilitar mudanças no uso do solo. Manejo de pastagens e propagação acidental também podem explicar parte das ocorrências.
A perspectiva de um El Niño de intensidade histórica acrescenta risco. A NOAA estimou em 83% a probabilidade de o fenômeno alcançar esse patamar no trimestre outubro–dezembro, segundo o índice RONI. O calor e a redução da umidade favorecem a propagação das chamas em partes da Amazônia, embora não determinem quando e onde ocorrerão ignições.
O Ibama já aplicou R$ 2 milhões em multas por incêndios ilegais na região. Segundo balanço do Ministério do Meio Ambiente de 20 de outubro, as operações aéreas acumulavam 390,5 horas de voo e 1,12 milhão de litros de água lançados desde 10 de outubro. As ações federais haviam contribuído para extinguir 337 incêndios desde o início da temporada, com 462 brigadistas do Ibama e do ICMBio mobilizados.



