Fitch vê aperto fiscal no Brasil independentemente de resultado eleitoral

Agência de classificação de risco afirma que déficit acima de 8% do PIB e dívida superior a 80% forçarão medidas restritivas em 2027

Fitch vê aperto fiscal no Brasil independentemente de resultado eleitoral
Foto: Reuters

Fitch Ratings prevê aperto nas contas públicas no Brasil em 2027, independentemente do resultado das eleições presidenciais deste mês.

A Fitch Ratings prevê aperto nas contas públicas do Brasil em 2027, independentemente do resultado das eleições presidenciais. A agência ressaltou que o aperto fiscal e o juro elevado pesarão sobre a atividade econômica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno das eleições presidenciais no próximo domingo, conforme confirmado pela agência.

A Fitch justificou a expectativa de um aperto nas contas públicas apontando que o déficit orçamentário do país já ultrapassa 8% do PIB e que a relação dívida/PIB supera 80%. Essas métricas deixam limitadas as opções de política fiscal para o próximo governo.

A agência estima que o Produto Interno Bruto do país cresça 1,9% neste ano e 1,4% em 2027. Conforme a Fitch, a taxa Selic, atualmente em 13,75%, deve chegar ao final do próximo ano em 11,75%.

“A taxa de juros poderia cair mais rapidamente em caso de um ajuste fiscal significativo, o que também poderia pressionar para baixo os juros de prazo mais longo”, disse a Fitch. A agência ressaltou que o Banco Central deverá manter os juros reais elevados em meio a expectativas de inflação altas e à persistência da inflação de serviços.

“Isso manterá elevado o comprometimento do setor privado com o serviço da dívida e limitará o consumo das famílias, o investimento das empresas e o crescimento do crédito, mesmo com a queda dos juros nominais”, alertou a agência de classificação de risco.

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