A detenção ocorreu na zona rural de Manabí. González é investigada por suposto financiamento irregular de campanhas eleitorais.

A líder esquerdista Luisa González foi presa pela Polícia Nacional do Equador na madrugada desta quinta-feira (22), a cinco semanas das eleições locais.
A Polícia Nacional do Equador prendeu a líder esquerdista Luisa González na madrugada desta quinta-feira (22) em Canoto, na zona rural da província de Manabí, cinco semanas antes das eleições locais. A operação foi conduzida por agentes enviados de Quito, segundo confirmou a divisão da polícia naquela jurisdição.
O Ministério Público equatoriano informou que executou, em conjunto com a polícia, três ordens de prisão para formular acusações à Justiça por lavagem de dinheiro nas províncias de Manabí e Pichincha. De acordo com o comunicado do órgão, a investigação, conhecida como caso Labirinto, abrange “possíveis irregularidades no financiamento político e no gasto eleitoral em publicidade durante a campanha presidencial de 2023, por inconsistências nas contribuições e na origem lícita dos recursos”.
González é investigada por suposto financiamento irregular de suas campanhas eleitorais. Por esse motivo, foi inabilitada para ser candidata no pleito local, ao passo que o Revolução Cidadã, partido dela e do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), foi suspenso e impedido de participar das eleições.
Correa, padrinho político de González, publicou série de mensagens nas redes sociais criticando a prisão. “Prenderam Luisa González. Já chega!”, afirmou. Em outras postagens, Correa chamou os responsáveis pela detenção de “palhaços” e “miseráveis”, questionando: “Não sobrou mais ninguém decente no sistema de Justiça? Será que está tudo tão podre assim?”.
O ex-presidente colombiano de esquerda Gustavo Petro (2022-2026) também se pronunciou pelas redes sociais, afirmando que o Equador se transformou em “uma verdadeira ditadura”.
Em trabalho anterior, González foi acusada de envolvimento no denominado caso Caja Chica, no qual o Ministério Público atribui suposto crime de organização criminosa para lavagem de dinheiro, ao alegadamente ter financiado a campanha de 2023 com dinheiro em espécie vindo da Venezuela. Como consequência, o Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) suspendeu o Revolução Cidadã em março, a pedido do Ministério Público, decisão denunciada pelo correísmo.
González foi derrotada em segundo turno por Daniel Noboa nas eleições de 2023, realizadas para completar o mandato do então presidente Guillermo Lasso, e novamente nas eleições de 2025.



