Ibeps aponta abstenção maior entre eleitores pobres no primeiro turno de 2026

Instituto cruza dados do TSE com renda do IBGE em 1.170 municípios e identifica 21,3% de abstenção nas áreas mais pobres

Ibeps aponta abstenção maior entre eleitores pobres no primeiro turno de 2026
Abstenção em áreas pobres impacta estratégia de campanhas para segundo turno

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais aponta que abstenção foi maior em áreas de menor renda, com diferenças inéditas em São Paulo

Levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) aponta que a abstenção para presidente no primeiro turno das eleições 2026 foi maior em áreas de menor renda. O estudo cruzou resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com dados de renda dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1.170 municípios analisados.

Nas áreas mais pobres, a abstenção para presidente foi de 21,3%, contra 20,3% nas mais ricas. Em São Paulo, a diferença foi maior: 23,4% nos locais de menor renda contra 22,1% nos de renda mais elevada. Esta inversão é inédita na série do estudo, iniciada em 2006. Até 2022, as áreas mais ricas sempre tiveram abstenção maior que as mais pobres.

O eleitor que deixou de votar passou a ser foco nas estratégias das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno. Nas áreas mais pobres de São Paulo, Lula e Flávio terminaram o primeiro turno com, respectivamente, 45,2% e 45,5% dos votos válidos — vantagem de 0,3 ponto percentual para o candidato do PL.

Há quatro anos, o petista tinha 8,9 pontos percentuais de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) nessas mesmas áreas, com 49,6% contra 40,7%. A pesquisa divide os locais de votação de cada cidade em cinco faixas, conforme a renda do entorno.

Para o consultor político Gaudêncio Torquato, professor da Universidade de São Paulo (USP), os dados da pesquisa combinam com os indicadores econômicos recentes do país. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontou recordes históricos de endividamento em 2026. Em setembro, 81,7% das famílias estavam endividadas. Entre as que ganham até três salários mínimos, o índice chegou a 84,6%.

“Quanto mais indignação, quanto mais insatisfação, menos vontade o eleitor tem de ir às urnas. Esse número reflete a desesperança do eleitor, a sensação de que tudo é do mesmo jeito e que os políticos prometem muito, mas não fazem”, afirmou Torquato.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress