TSE nega censura a canal do Exército do Lula, mas admite possível mudança de regras

Kássio Nunes Marques afirma que regulamentação pode ser insuficiente para tecnologia nos dois dias antes da votação

TSE nega censura a canal do Exército do Lula, mas admite possível mudança de regras
Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, em entrevista ao jornal O Globo

O presidente do TSE nega tentativa de censura ao canal político, mas declara que mudança de regras pode ser necessária antes do segundo turno de domingo.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, negou nesta sexta-feira (23) ter tentado censurar o canal do WhatsApp criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para mobilizar eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, afirmou que modificar as regras de funcionamento do espaço “pode ser necessário” para beneficiar o processo eleitoral.

A declaração ocorre dias após o TSE reconhecer que ministros discutiram a possibilidade de proibir canais políticos com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores ao segundo turno, marcado para domingo (25). Nunes Marques inicialmente se posicionou contrário à proibição, enquanto o vice-presidente da Corte eleitoral, André Mendonça, afirmou que o assunto havia sido discutido em colegiado.

“Em condições normais, concordo que o ideal é não mudar as regras. Mas, quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo”, declarou Nunes Marques em entrevista ao jornal O Globo.

Se a mudança for aplicada nos termos discutidos e tornados públicos à imprensa, o canal “Exército do Lula”, que reúne quase 9 milhões de participantes, pode sair do ar à noite. O mesmo pode ocorrer com a “Tropa do Flávio”, gerida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que conta com mais de 2 milhões de seguidores.

Nunes Marques esclareceu sua posição sobre a possibilidade de aprovação da medida. “Não disse que essa norma não seria aprovada. Disse que não iria mais capitanear a iniciativa. Isso não quer dizer que qualquer colega da Corte não possa fazer uma proposta. Não estou tolhendo a liberdade de nenhum ministro.”

O TSE também investe esforços no canal de Janones por investigação de supostamente incentivar manipulação de buscas com termos negativos à campanha de Flávio Bolsonaro. A Corte eleitoral solicitou pente-fino à Meta, Google e X sobre essas atividades. Janones considera as decisões como perseguição ao seu canal.

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