Flávio Bolsonaro tenta herdar liderança da oposição sob duas investigações da PF

Senador recebe ordem para entregar passaportes e perde mandato em fevereiro de 2027, enquanto enfrenta inquéritos sobre financiamento de filme e lavagem de dinheiro

Flávio Bolsonaro tenta herdar liderança da oposição sob duas investigações da PF
Flávio Bolsonaro (PL) em discurso após derrota no 2º turno das eleições presidenciais Foto: CNN Brasil — Foto: Flávio Bolsonaro (PL) em discurso após derrota no 2º turno das eleições presidencias  • CNN Brasil

Derrotado por Lula e sob pressão de duas investigações da PF, senador tenta liderar oposição para preservar poder político e se firmar como herdeiro do pai

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenta assumir a liderança da oposição sob pressão de duas investigações da Polícia Federal.

Proibido de deixar o país, Flávio foi intimado nesta segunda-feira (26) a entregar seus passaportes. A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O senador perderá seu mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos a partir de fevereiro de 2027.

Uma das investigações envolve o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, a corporação apura o destino do dinheiro e se parte dos recursos foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos.

O outro inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. De acordo com a investigação, os pontos apurados incluem acesso a conta de empresa ligada ao advogado e custeio de viagens.

Flávio nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer, que também contesta as suspeitas. O advogado é investigado ainda em um desdobramento de operação da Polícia Federal sobre descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS.

Ao comentar a determinação de entrega dos passaportes, Flávio afirmou que foi intimado pela Polícia Federal quando deixava a residência do pai, em Brasília, onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. O senador atribuiu a decisão a uma declaração de Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, em que defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado.

Em entrevista ao podcast americano “CrowderBits”, Eduardo afirmou ser favorável à saída de Flávio do país em caso de derrota eleitoral. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele deixe o país com certeza”, disse.

Flávio negou que tivesse planos de sair do Brasil, afirmou que cumprirá a determinação judicial e classificou a medida como uma tentativa de prejudicá-lo politicamente. O senador segue respondendo aos inquéritos da Polícia Federal em liberdade, conforme orientação do Supremo Tribunal Federal.

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