MTE notifica usuários sobre denúncias de assédio eleitoral na Carteira Digital

Aplicativo do ministério divulga canal para relatos de ameaças e discriminação política no trabalho após segundo turno

MTE notifica usuários sobre denúncias de assédio eleitoral na Carteira Digital
Carteira de trabalho digital. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — Foto: Carteira de trabalho digital.  • Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministério do Trabalho e Emprego emitiu notificação alertando usuários sobre canal de denúncias de assédio eleitoral no trabalho.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) emitiu notificação nesta quinta-feira (29) através do aplicativo Carteira de Trabalho Digital com orientações para que usuários realizem denúncias de assédio eleitoral sofrido no trabalho.

“Você sofreu ameaça de demissão ou discriminação política no trabalho? O Ministério do Trabalho e Emprego existe para te proteger, denuncie o assédio eleitoral no trabalho aqui em https://assedioeleitoral.trabalho.gov.br/”, consta da mensagem divulgada.

A notificação surge após movimentações nas redes sociais de políticos e empresários incentivando a prática contra trabalhadores, seguindo o resultado do segundo turno das eleições que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conteúdos online também promovem boicotes a estabelecimentos de comerciantes que declararam apoio à reeleição do atual mandatário.

Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) indicam que até às 13h desta quinta foram registradas 3.529 denúncias de assédio eleitoral ao longo de 2026 até quarta-feira (28). Destas, 2,7 mil foram registradas apenas em outubro. O número já ultrapassa o montante de queixas de 2022, quando ocorreram 3.373 denúncias durante todo o ano.

Antes do primeiro turno foram recebidas 991 denúncias. Entre a primeira e segunda etapa do pleito, houve registro de mais 946 casos.

As denúncias recebidas são analisadas pelo MPT, que tem adotado medidas como envio de ações cíveis ou orientações de retratações a publicações. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros parlamentares apresentaram à Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal (PF) e MPT uma notícia de fato pedindo investigação de âmbito nacional. O documento reúne episódios registrados em ao menos oito unidades da Federação.

Os parlamentares solicitam que sejam comparados textos, imagens e metadados para identificar possível origem comum, os primeiros responsáveis pela divulgação e eventuais administradores compartilhados entre grupos. A representação também pede apuração de eventual participação ou financiamento de estruturas político-eleitorais nas ações.

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