Família Muffato adquire 15% do Assaí em aposta de recuperação

Operação ocorre em momento de pressão no varejo alimentar brasileiro e reabre discussões sobre possíveis fusões no setor

Família Muffato adquire 15% do Assaí em aposta de recuperação
Loja do Assaí Atacadista. Foto: Divulgação — Foto: Logo do Assaí Atacadista em loja da rede  • Divulgação

Investidores ligados à família Muffato passaram a deter 15,02% das ações ordinárias e posições em derivativos do Assaí

Investidores ligados à família Muffato adquiriram 15,02% das ações ordinárias e posições em derivativos do Assaí, conforme comunicado divulgado ao mercado nesta quinta-feira (30). A operação ocorre em momento de desconfiança do mercado com o varejo alimentar brasileiro.

Segundo analista da Suno Research João Daronco, a movimentação pode combinar aposta na recuperação das ações da companhia com expectativa de mudanças na estrutura do mercado. Os investidores informaram que não há participação específica visada pelo grupo.

A operação reabre discussões sobre possível fusão ou combinação de negócios envolvendo os grupos, embora a participação acionária, por si só, não confirme negociações nesse sentido.

“Eu vejo esses dois aspectos que andam juntos”, afirma Daronco, ao se referir à possibilidade de movimentos societários e à oportunidade de investimento em companhia cujas ações sofreram forte desvalorização.

O Assaí enfrenta cenário de pressão sobre o consumo, endividamento elevado e desafios para ampliar rentabilidade depois de ciclo de expansão. O ambiente também afeta outras redes do setor, que disputam orçamento de famílias pressionadas por custo de vida e comprometimento da renda.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em setembro, 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas, enquanto 29,6% tinham dívidas em atraso. O comprometimento médio da renda com débitos subiu de 29,3% em agosto para 29,6% em setembro.

Na avaliação de Daronco, a desvalorização dos papéis pode ter aberto janela de oportunidade para investidores com conhecimento do negócio. A perspectiva de recuperação do consumo no fim do ano também poderia favorecer redes de varejo alimentar, caso parte da renda destinada a apostas on-line, após proibição da operação das bets, volte a circular em outros segmentos da economia.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o varejo alimentar cresceu 6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025. A entidade identificou avanço em produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café, e atribuiu parte do movimento à restrição das apostas on-line.

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