Flávio Bolsonaro dificilmente controlará direita dos EUA, diz cientista político

Especialista aponta que poder político exige presença física e vínculos de confiança. PL tem 121 deputados na Câmara, maior bancada.

Flávio Bolsonaro dificilmente controlará direita dos EUA, diz cientista político
Aliados do PL veem incerteza em próximos passos com fuga de Flávio Foto: CNN Brasil

Cientista político avalia que decisão de Flávio Bolsonaro de liderar movimento político fora do Brasil enfrenta obstáculos estruturais.

Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades estruturais para controlar a direita dos EUA a partir de fora do Brasil, segundo análise de especialista. Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, avalia que a iniciativa é calculada, mas encontra obstáculos significativos.

O principal desafio apontado por Gabiati é a impossibilidade de exercer influência política à distância. “O poder se exerce a partir de vínculos de confiança, e a confiança só se constrói estando fisicamente e presencialmente para apertar uma mão e fechar um acordo”, declarou o especialista. “Neste momento, eu duvido que o Flávio tenha essa capacidade”, completou.

Gabiati avalia que a movimentação não foi uma decisão isolada de Flávio, mas negociada dentro do núcleo familiar Bolsonaro. “Isso aqui não foi só uma escolha do Flávio, foi uma escolha negociada com Jair e com Eduardo, talvez até com Carlos”, afirmou o cientista político. Segundo ele, esse grupo toma decisões em conjunto, ainda que nem sempre de forma plenamente racional.

O especialista traçou um paralelo com a líder venezuelana María Corina Machado, que exerceu liderança política de fora de seu país. No entanto, Gabiati ressaltou que o Brasil está muito longe de ser uma Venezuela, apesar dos atritos institucionais existentes. “A partir desse movimento dos Bolsonaro, o Brasil ganha sua Corina Machado versão brasileira”, disse.

Outo ponto destacado por Gabiati diz respeito ao Partido Liberal. Com 121 deputados, o partido detém a maior bancada da Câmara, superando até mesmo o PFL no auge de sua força, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando contava com 105 deputados. No entanto, o cientista político alerta que esse poder eleitoral pode se perder sem liderança capaz de coordená-lo. “O grande problema aqui é que o PL tem a maior bancada da Câmara, mas hoje não tem líder”, afirmou. Segundo ele, sem capacidade de coordenação, todo esse poder eleitoral corre o risco de não se converter em poder institucional na Câmara e no Senado.

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