Organização questiona coerência entre fé cristã declarada pelo senador e descumprimento de determinações judiciais

Organização classifica partida do senador como covarde e questiona uso da identidade religiosa para justificar comportamentos contrários ao compromisso com a Justiça
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito criticou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil em direção aos Estados Unidos nesta terça-feira (27).
A organização classificou a atitude como uma “covarde ação” e questionou o uso da identidade religiosa para justificar comportamentos que contrariam o compromisso com a Justiça, segundo nota divulgada pela entidade. A Frente manifestou preocupação com a viagem do parlamentar em meio a questionamentos judiciais e investigações em andamento.
A organização destacou a necessidade de coerência entre os princípios cristãos professados publicamente e as atitudes de quem exerce função política. Segundo a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, a fé cristã deve estar associada à verdade, à justiça e à responsabilidade.
A entidade reconheceu que Flávio Bolsonaro possui direito à ampla defesa e presunção de inocência. Ressaltou, porém, que “esses direitos não eliminam a obrigação de cumprir determinações judiciais e prestar esclarecimentos às autoridades competentes”.
A Frente afirmou que a religião não deve ser utilizada como justificativa para descumprir decisões judiciais. Para fundamentar a reflexão, a organização citou o versículo de Provérbios 28:13: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia”.
Segundo a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, “nenhuma identidade religiosa pode servir de proteção contra investigações, justificar o descumprimento de decisões judiciais ou colocar alguém acima da lei”. A entidade defendeu o respeito às instituições e às regras que se aplicam a todos os cidadãos, independentemente de posição política ou religiosa.
A organização acrescentou que concordar com a saída do senador nas circunstâncias descritas significa aceitar que as leis não precisam ser cumpridas. A crítica ocorre em meio a investigações no Supremo Tribunal Federal que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e outros procedimentos envolvendo o parlamentar.



