Grupo alcançou 47,8% das vagas com carteira assinada em 2025, ante 44,4% em 2022, enquanto população envelhece

Os trabalhadores com 40 anos ou mais já representam 47,8% do estoque de vagas formais no Brasil em 2025, ante 44,4% em 2022.
Os trabalhadores com 40 anos ou mais já representam quase metade do estoque de vagas formais no Brasil. Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), o grupo alcançou 47,8% dos postos com carteira assinada em 2025, contra 44,4% em 2022, crescimento de 3,4 pontos percentuais em quatro anos.
Entre 2022 e 2025, a população de brasileiros com 40 anos ou mais cresceu 7%, atingindo 92,2 milhões, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No mesmo período, a população de até 39 anos recuou 2,5%, para 158 milhões.
Os trabalhadores com até 39 anos, que representavam 55,6% do total de empregos em 2022, caíram para 52,2% em 2025, conforme os dados da Rais, que é o registro administrativo dos contratos com carteira assinada.
O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, atribui a mudança a questões estruturais: “Hoje a idade mediana de um trabalhador está acima dos 40 anos. O mercado de trabalho tende a ser reflexo de muitas questões estruturais no Brasil, inclusive a demografia”.
O cenário reflete a composição etária da população: a faixa de 40 anos ou mais aumentou porque absorveu quem envelheceu, e a de até 39 anos diminuiu porque há menos jovens para entrar no mercado de trabalho.
Segundo especialistas, há também componentes comportamentais no movimento. Os jovens, amparados pelo aumento dos benefícios sociais, estão estudando mais e, portanto, participando menos da força de trabalho, seja trabalhando, seja procurando emprego.
Por outro lado, os trabalhadores mais velhos estão mais ativos no mercado de trabalho, já que a população está vivendo mais e com melhores condições físicas e mentais do que nas décadas anteriores.
O caso de Luciana Kubo, aos 56 anos, exemplifica essa tendência. Formada em administração, ela começou a trabalhar aos 17 anos. Em 1999, durante uma gravidez de risco, precisou deixar o emprego. Nesse período, ajudou a administrar uma empresa de comércio eletrônico criada pelo ex-marido, que chegou a faturar cerca de R$ 300 mil por ano, mas perdeu espaço com as mudanças tecnológicas e a popularização dos celulares. Luciana se dedicou à criação dos três filhos e ficou aproximadamente 20 anos fora do mercado formal. Há cinco anos, ela encontrou na construção civil uma nova etapa profissional.



