Democratas ganham Câmara e Senado mas perdem poder para frear agenda energética de Trump

Sem maioria de dois terços, democratas não conseguem derrubar vetos presidenciais, mas podem obstruir projetos republicanos no Senado até janeiro

Democratas ganham Câmara e Senado mas perdem poder para frear agenda energética de Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein — Foto: Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca 2 de setembro de 2026  • REUTERS/Evelyn Hockstein

Democratas conquistaram Câmara e Senado em eleições de 3 de novembro, mas não obtiveram dois terços dos votos necessários para derrubar vetos de Trump sobre política energética.

Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado nas eleições de 3 de novembro, mas não alcançaram a maioria de dois terços necessária para derrubar vetos presidenciais sobre a agenda energética de Trump.

A perda dessa supermaioria elimina um atalho que os republicanos usaram para cortar incentivos a energias renováveis sem negociar. Trata-se da reconciliação orçamentária, um procedimento que permite aprovar certas mudanças de impostos e gastos com maioria simples no Senado, contornando a obstrução legislativa conhecida como filibuster.

Em projetos comuns, senadores podem adiar indefinidamente a votação, prolongando o debate. Para encerrar a discussão e permitir que o projeto seja votado, geralmente são necessários 60 dos 100 votos no Senado. Mesmo que aprovada uma medida, Trump poderá vetá-la. Para derrubada do veto, os democratas precisariam de dois terços dos votos em cada casa — maioria que não conquistaram.

Em 2025, os republicanos utilizaram essa via para antecipar o fim de incentivos a renováveis e veículos elétricos. A partir de janeiro, sem controlar as duas casas, não conseguirão repetir a operação sozinhos.

Os democratas enfrentarão seus próprios limites. Mesmo aprovando novos incentivos à energia limpa, sofrerão veto de Trump. Até janeiro, os republicanos mantêm controle do Congresso. Contudo, no Senado, os democratas podem impedir votações ao se recusarem a encerrar debates. Para superar essa obstrução, os republicanos precisam de 60 votos. Sem esse apoio, a reforma do licenciamento energético poderá ficar para 2027, quando os democratas terão maioria nas duas casas e maior poder de negociação.

A pressão sobre energia se intensifica com a guerra no Irã. A Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA) prevê que o Brent e o diesel rodoviário custará 39% e 42% mais caro em média em 2026 comparado a 2025. Fretes e alimentos encarecem, enquanto produzir mais petróleo nos EUA não protege consumidores do mercado global.

O orçamento anual já exigia acordos no Senado. Agora, a Câmara democrata também negociará despesas. Deputados poderão investigar concessões de petróleo e gás; senadores, rejeitar indicados à EPA e à regulação energética. Trump preserva seu poder de veto em qualquer medida que chegue à sua mesa.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress