Brasil adota cautela sobre situação interna do vizinho e avalia impactos da instabilidade política na região

Integrantes do Itamaraty monitoram de perto os desdobramentos da crise política no Paraguai após renúncia do presidente
Integrantes do Palácio do Itamaraty veem a crise política instalada no Paraguai com preocupações diante dos cenários de incerteza sobre o futuro do país. O governo brasileiro adota cautela sobre o vizinho e evita manifestações oficiais sobre o assunto por entender que se trata de uma questão interna do Paraguai e dentro das regras do país.
Segundo fontes da diplomacia, o Brasil monitora de perto os desdobramentos da crise e faz avaliações internas sobre os impactos da situação. Diplomatas destacam, sob reserva, o cenário de fragilidade da direita paraguaia e levantam dúvidas sobre o papel futuro que países como Argentina e Estados Unidos podem ter na região.
Tanto Javier Milei quanto Donald Trump tinham proximidade com o presidente Santiago Peña, que renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5). De acordo com diplomatas ouvidos, é preciso analisar a crise vivida pelo país vizinho em um contexto de arrefecimento da onda de extrema-direita na região, considerando a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato.
Governistas levantam dúvidas sobre os riscos de um vácuo de poder no Paraguai, mas não apostam em um governo mais hostil ao Brasil por causa da dependência econômica que o país tem da nação vizinha. A usina Itaipu Binacional, símbolo da relação entre Brasil e Paraguai, não deve sofrer impacto com a instabilidade política, na visão de fontes ouvidas.
Segundo avaliação de diplomatas, o tratado de Itaipu é muito completo, o que traz tranquilidade ao Brasil. A crise no país tem por trás a situação do banco Ueno, que fechou portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição. Foi constatado um déficit nos índices de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. Peña foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco e é acusado pela oposição de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.



