BC analisou soja, milho, algodão, arroz, cana-de-açúcar e café, que representam 75% do valor da produção agrícola nacional

Banco Central projeta efeitos heterogêneos do El Niño na produtividade de culturas como milho, algodão e arroz até final do segundo trimestre de 2027
O Banco Central incluiu em seu Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25) projeções sobre o impacto de um El Niño de forte dimensão na produtividade agrícola brasileira até o final do segundo trimestre de 2027. De acordo com a autoridade monetária, os efeitos serão heterogêneos entre culturas e regiões.
A análise abrangeu soja, milho, algodão herbáceo, arroz, cana-de-açúcar e café, que em conjunto respondem por aproximadamente 75% do valor da produção agrícola nacional. A amostra compreendeu o período de 1990 a 2026, totalizando 37 observações anuais. Para o milho, o BC abriu a análise em primeira e segunda safras, dado o aumento da importância da segunda safra nas últimas décadas.
Segundo o BC, para culturas como milho, algodão e arroz, os episódios de El Niño tendem a estar associados a produtividades abaixo da tendência histórica na maioria dos estados produtores, com magnitudes relevantes em vários casos.
No caso da soja, os efeitos mostram-se mais heterogêneos entre regiões e próximos de zero quando colocados em nível nacional. Isso reflete a compensação entre ganhos observados no Sul do país e perdas em parte do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Nas culturas permanentes, os resultados apurados não permitem identificar impactos de El Niño sobre a produtividade da cana-de-açúcar, segundo a autoridade monetária.
No Brasil, o evento El Niño gera alterações na temperatura e no padrão de chuvas de distintas regiões, com possíveis efeitos econômicos relevantes. Tipicamente seus episódios estão associados ao aumento das chuvas na Região Sul, à redução das precipitações em partes das regiões Norte e Nordeste e a temperaturas acima da média em parcela do território nacional.


