Relatório da Anistia Internacional revela massacres, sequestros e abusos graves contra comunidades cristãs na República Democrática do Congo
Cristãos no leste do Congo são as principais vítimas da violência islamista, com massacres e sequestros sistemáticos em aldeias e igrejas.
Violência islamista no Congo crescente afeta principalmente cristãos no leste do país
A violência islamista no Congo tem se intensificado no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde cristãos são as principais vítimas. Conforme o relatório da Anistia Internacional, o grupo militante Forças Democráticas Aliadas (ADF), associado ao Estado Islâmico, tem realizado ataques sistemáticos nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, regiões predominantemente cristãs. A secretária-geral da Anistia, Agnès Callamard, afirmou que a campanha da ADF representa uma série de abusos desumanizantes que agravam a crise humanitária.
Detalhes dos ataques e os principais incidentes documentados
Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, investigadores da Anistia entrevistaram sobreviventes e testemunhas para documentar os abusos da ADF. Um dos ataques mais brutais ocorreu em setembro de 2025 na aldeia de Komanda, onde mais de 40 fiéis foram assassinados durante um ataque à igreja local. Outro massacre chocante aconteceu em Ntoyo, quando militantes disfarçados invadiram um velório e mataram mais de 60 pessoas. Os agressores usaram armas variadas, como facões, machados e armas de fogo, e frequentemente incendiavam casas e fazendas, causando pânico e destruição generalizada.
Sequestros, doutrinação e abuso contra crianças e mulheres
O relatório destaca que dezenas de crianças foram sequestradas e levadas para acampamentos dos militantes na floresta, onde sofreram trabalho forçado, espancamentos e doutrinação religiosa obrigatória. Crianças e adolescentes eram treinados para combater e forçados a adotar práticas islâmicas sob ameaça de morte. Mulheres e meninas, incluindo menores de 12 anos, foram submetidas a casamentos forçados, violência sexual prolongada e escravidão. Muitas enfrentam estigmatização ao retornarem às suas comunidades, além da carência de apoio psicológico e médico.
Impactos sociais e humanitários da violência das Forças Democráticas Aliadas
Os ataques da ADF têm intensificado o deslocamento de populações, interrompendo o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e alimentação. Sobreviventes relatam medo constante e sentimento de abandono, já que as forças de segurança frequentemente chegam tarde ou não intervêm. A assistência internacional tem sido insuficiente diante da complexidade do conflito, que exige esforços coordenados para proteção civil, prevenção e responsabilização dos responsáveis pelos crimes.
Resposta internacional e necessidades urgentes para a paz e segurança
A Anistia Internacional pede que o governo da RDC, autoridades regionais e a comunidade internacional reforcem medidas para proteger civis, aprimorar sistemas de alerta e oferecer suporte médico e psicológico de longo prazo aos sobreviventes. A organização solicita também o fim imediato dos ataques da ADF, a libertação dos sequestrados e o fortalecimento da justiça para garantir responsabilização. A estabilização do leste do Congo é apontada como crucial para que as vítimas possam reconstruir suas vidas em segurança.
Histórico e contexto do grupo militante ADF no leste africano
Formado na década de 1990 em Uganda, o grupo Forças Democráticas Aliadas migrou para o leste do Congo e, em 2019, teve sua lealdade formalmente reconhecida pelo Estado Islâmico. A disputa regional, incluindo conflitos com outros grupos como o M23, criou um ambiente propício para a expansão dos ataques da ADF. A Anistia Internacional ressalta que a atenção internacional limitada a outros conflitos facilitou o aumento da violência e da insegurança nas áreas afetadas.
Fonte: folhagospel.com
Fonte: World Watch Monitor





