Banco Central registra disparada no uso de rotativo e cheque especial entre os ricos

Saldo devido por quem ganha acima de dez salários mínimos cresceu 93% em um ano, enquanto endividamento encolheu entre os pobres

Banco Central registra disparada no uso de rotativo e cheque especial entre os ricos
Uso do cheque especial cresce entre as famílias mais ricas. Foto: Reprodução — Foto: Uso do cheque especial cresce entre as famílias mais ricas. (Reprodução)

Dados do Banco Central mostram que endividamento em cartão rotativo e cheque especial cresceu 93% entre os mais ricos nos últimos três anos

Dados do Banco Central mostram que o endividamento em cartão de crédito rotativo e cheque especial disparou entre os mais ricos nos últimos três anos, enquanto essas modalidades encolheram entre os que ganham menos.

O saldo devido por quem ganha acima de dez salários mínimos cresceu 93% em termos reais entre julho de 2023 e julho de 2026. Com isso, a participação dessa faixa no total emprestado saltou de 13,1% para 23,3%, com saldo chegando a R$ 30,3 bilhões, segundo informações do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central.

A maior alta ocorreu entre os que ganham acima de 20 salários, cuja participação quase dobrou ao subir de 5,3% em 2023 para 10,5% em 2026. Entre os que ganham de 5 a 10 salários, o peso aumentou de 13,8% para 17,2%.

Já entre os que ganham até cinco salários, a tendência se inverteu. O saldo do rotativo e cheque especial, que havia crescido mais de 70% acima da inflação entre 2021 e 2023, teve queda de 10,6% nos últimos três anos. O peso no total recuou de 69,4% para 57,4%.

Consideradas linhas emergenciais, o rotativo e o cheque especial estão entre as categorias de empréstimo mais caras do mercado, com juros mensais de 15,18% e 7,43%, respectivamente, segundo dados de agosto do Banco Central. Desde 2024, uma norma estabelece que a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão não pode superar o dobro do montante original, limitando a taxa de juros acumulada a um teto de 100%.

Para economistas, o movimento decorre da deterioração das finanças das classes média e alta, além do aumento da oferta de crédito pelos bancos para quem tem maior renda, como forma de proteção contra o risco crescente de inadimplência dos mais pobres. Dados de setembro da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que 71,9% das famílias com renda acima de 10 salários estão endividadas.

A economista Laura Carvalho, professora da Universidade de São Paulo (USP) e diretora da Open Society Foundations, afirma que muitas famílias chegaram à retomada da economia desde 2021 já carregando compromissos acumulados entre 2015 e 2022, período marcado por recessão seguida de longo intervalo de semiestagnação.

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