Banco of america reavalia fim do ciclo de cortes da Selic diante da queda do petróleo

Adriano Machado

Com preços do petróleo em baixa, o BofA questiona cenário para a Selic e avalia nova possibilidade de cortes

O Bank of America revisita projeções sobre a Selic após queda do petróleo e dados econômicos menos favoráveis no Brasil.

Contexto da revisão do ciclo de cortes da Selic diante da queda do petróleo

A análise sobre os cortes da Selic no Brasil foi atualizada pelo Bank of America em 3 de fevereiro de 2026, em meio à queda significativa nos preços do petróleo. David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do banco, afirmou que essa baixa, aliada a dados recentes de inflação e emprego aquém das expectativas, motivam a reavaliação da previsão para o fim dos cortes da taxa básica de juros.

O cenário econômico atual apresenta uma inflação mais controlada, porém com geração de empregos menos robusta, o que altera as condições para a política monetária brasileira. Beker ressalta que o Banco Central pode ainda promover um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic para ganhar tempo, mesmo mantendo a taxa em 14,25% durante o restante do ano.

Impactos da queda do petróleo na política monetária e projeções do BofA

A queda nos preços do petróleo exerce influência direta sobre a inflação e o câmbio, pontos-chave que o Banco Central acompanha para definir a Selic. Segundo o BofA, essa variável externa reduz pressões inflacionárias, aumentando a chance de cortes adicionais nos juros. Apesar disso, o banco mantém seu cenário base de estabilidade da Selic neste ano, considerando também a necessidade de responder à desancoragem das expectativas de inflação e aos estímulos econômicos vigentes.

David Beker destaca que o horizonte da política monetária vem se estendendo, sinalizando uma expectativa mais alinhada com a meta de inflação, o que traz algum alívio aos mercados. O economista também observou que o intervalo de 44 dias entre as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) tem sido longo, tornando difícil ter certeza sobre decisões futuras diante das variáveis econômicas e notícias.

Projeções para os próximos anos e condições para novos cortes

De acordo com a análise do Bank of America, a Selic deve permanecer em 14,25% durante todo o ano de 2026. A partir de 2027, o banco projeta que a taxa comece a cair gradualmente, com cortes de 0,25 ponto percentual que podem levar a Selic a 13,25% ao final do ano seguinte. Em 2028, novas reduções podem situar a taxa em torno de 12,25%, totalizando quatro cortes ao longo do ano.

Esse ritmo de queda está condicionado a fatores como a redução dos estímulos econômicos após as eleições e eventuais ajustes fiscais implementados pelo próximo governo, que poderão abrir espaço para a flexibilização dos juros. Portanto, o cenário político e fiscal pós-eleitoral é decisivo para a continuidade dos cortes da Selic.

Papel dos estímulos econômicos e expectativas para o futuro fiscal do Brasil

Os estímulos econômicos atuais ainda influenciam o balanço de riscos para a inflação e o crescimento, mantendo a taxa de juros mais elevada no curto prazo. O BofA avalia que, com a provável diminuição desses estímulos após as eleições, haverá condições para o Banco Central iniciar um ciclo de cortes mais consistente.

Paralelamente, o banco antecipa que o próximo governo, independentemente do vencedor, poderá implementar algum grau de ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas. Essa postura fiscal mais rigorosa é vista como essencial para garantir que a inflação permaneça dentro da meta e para recuperar o espaço necessário para cortes nos juros sem comprometer a estabilidade econômica.

Conclusão: incertezas e perspectivas para a política monetária brasileira

A queda dos preços do petróleo e os dados recentes de inflação e emprego geram incertezas sobre o final do ciclo de cortes da Selic no Brasil. Embora a manutenção da taxa em 14,25% até o final de 2026 seja o cenário mais provável para o Bank of America, a possibilidade de novos cortes não está descartada, especialmente caso os indicadores econômicos evoluam conforme esperado.

Assim, a política monetária brasileira permanece atenta às variáveis externas e internas, com expectativa de que ajustes fiscais e a diminuição dos estímulos possam permitir uma trajetória gradual de redução dos juros a partir de 2027, contribuindo para o equilíbrio macroeconômico do país nos próximos anos.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Adriano Machado

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress