Brasil ocupa 138ª posição em participação feminina no Parlamento

Mulheres ocupam apenas 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados, abaixo da média mundial de 27,3%

Brasil ocupa 138ª posição em participação feminina no Parlamento
Deputados durante sessão de votações no plenário Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados — Deputados durante sessão de votações no plenário  • Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Brasil ocupa 138ª posição no ranking de participação feminina nos parlamentos nacionais da IPU. Na Câmara, mulheres ocupam 88 das 513 cadeiras.

O Brasil ocupa a 138ª posição no ranking de participação feminina nos parlamentos nacionais da União Interparlamentar (IPU). Na Câmara dos Deputados, mulheres ocupam 88 das 513 cadeiras. No Senado, a bancada feminina é composta por 15 parlamentares, de um total de 81 vagas.

A participação feminina no Brasil está abaixo da média mundial, de 27,3%, e representa menos da metade da média das Américas, de 35,7%. Na América do Sul, a média é de 31,5%. Bolívia e México já ultrapassaram 50% de participação feminina nesse recorte.

Mulheres representam 52,8% das pessoas aptas a votar nas eleições de 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ocupam menos de uma em cada cinco cadeiras da Câmara.

Segundo a professora de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Marlise Matos, não há uma causa única para a posição brasileira no ranking. “A eleição de um maior número de mulheres é uma verdadeira corrida de obstáculos,” afirma. Os obstáculos começam antes mesmo de uma possível candidatura, na forma como homens e mulheres são incentivados a ocupar espaços diferentes na sociedade.

“A nossa socialização política ainda é muito arraigadamente patriarcal, racista,” declara Marlise. Ela cita a associação histórica dos homens ao trabalho e à vida pública, enquanto o cuidado da casa e da família recai sobre as mulheres. A sobrecarga reduz o tempo disponível para participar da política e construir uma candidatura.

A professora Flávia Biroli, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), também relaciona a sub-representação a essa divisão. “Historicamente, as mulheres foram orientadas para atividades na esfera privada ou relacionadas a ela, como se essa fosse naturalmente sua competência. Os homens, por sua vez, foram orientados para atividades na esfera pública e ocuparam posições que lhes permitiram controlar recursos de poder,” explica.

Para Biroli, os obstáculos se acumulam de maneiras diferentes conforme raça e classe. “Se olharmos, por exemplo, para pessoas pretas e pardas, veremos que as mulheres pretas e pardas têm representação menor que a dos homens pretos e pardos,” afirma. Ao longo das últimas décadas, o Brasil ampliou medidas de incentivo à participação feminina nas eleições.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress