Brasil precisa amplificar diplomacia do agro em novo contexto geopolítico

Especialistas apontam que protecionismo e barreiras tarifárias redefinem negociações comerciais globais durante Global Agribusiness Festival em São Paulo

Brasil precisa amplificar diplomacia do agro em novo contexto geopolítico
Agricultura irrigada no Vale do São Francisco em Bahia e Pernambuco. Foto: Roberto de Lira

Especialistas defendem ampliação da diplomacia do agro para o Brasil se manter como ator importante diante de protecionismo global.

O comércio global vive um momento disruptivo no qual o multilateralismo é deixado de lado, fóruns de negociação enfraquecem e países montam estratégias geopolíticas sobre bases protecionistas, segundo especialistas que discutiram o tema durante painel sobre o papel do agro no reordenamento geopolítico internacional no Global Agribusiness Festival, realizado em São Paulo.

Pablo Ibañez, professor associado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, explicou que a China desafiou a antiga hegemonia econômica americana e já gasta em ciência, tecnologia e inovação o mesmo que os EUA. No setor de alimentos especificamente, o gigante asiático colocou a questão da segurança alimentar como elemento de segurança nacional, exemplo que tem sido seguido por outros países.

“A economia está passando por um processo de securitização”, comentou o acadêmico. Nesse contexto, como o Brasil não é um tomador de decisões em nível global, precisa se adequar ao reordenamento e colocar o interesse nacional acima das disputas ideológicas, recomendou Ibañez.

Sobre as barreiras tarifária e não tarifárias que o Brasil enfrenta, Laura Antoniazzi, pesquisadora e sócia da Agroicone, citou o tarifaço dos EUA e as novas regras do Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR). Para ela, o papel do Brasil pode ser questionar detalhes das exigências, mas é preciso ser pragmático e atender as regras porque o mercado europeu é muito importante.

Laura Antoniazzi defendeu o que chamou de “diplomacia do agro”, um movimento de negociações e convencimento que precisa ser coordenado entre os setores público e privado. Ela elogiou o fato de o Brasil possuir 40 postos de adidos agrícolas nas embaixadas em todo o mundo, estrutura que pode potencializar essa atuação diplomática.

Jean-Pierre Bou citou o aumento das exportações brasileiras de café e conversas para destravar embarques de frango e mel, mas admitiu as dificuldades sanitárias relacionadas à carne bovina. Pediu também que compromissos com a sustentabilidade sejam mantidos nesse novo contexto de reordenamento comercial.

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